14 de nov de 2011

EM TEMPOS DE UPP: O quê o feminismo virtual deve aprender com o grupo Anonymous?

Em fim todo o treinamento imposto às forças armadas brasileiras no Haiti, MINUSTAH,  se consagra. As tropas militares do Estado parecem ter ocupado com “sucesso” as áreas onde residem os resquícios históricos da escravidão carioca. Não foi por acaso que o Capitão de Mar e Guerra dos Fuzileiros Navais declarou a impressa global: “estamos prontos para a guerra”. Não é atoa que a policia militar recebe este nome, seu treinamento é militar, logo treinamento de guerra, por isso se explicam as costumeiras atrocidades cometidas pelas forças legalistas contra a população em todo o Brasil. ora xota, se a policia está em constante estado de treinamento de guerra e “não estamos em guerra”, logo seu inimigo é o povo, seja ele “bandido” ou trabalhador. Todavia este texto não se objetiva em focar os processos ou intenções envolvidas nas ocupações da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu e sim que compreendamos a evolução histórica do que atualmente acontece no mundo, pois estas ações de ocupação não ocorrem sem representar um significado contrarrevolucionário, uma ação muito mais abrangente de dominação sobre as liberdades individuais e possibilidades de plena libertação humana.
O Google Maps, GPS e a ARTE DA GUERRA:
 onde estão os Wallys?
Há poucas semanas atrás, a celebridade Rodrigo Pimentel, mais conhecido como “a inspiração para o Capitão Nascimento do BOPE”, Consultor para Assuntos de Defesa Estratégica da Rede Globo, declarou no tele jornal Bom Dia Brasil que “o GPS é uma arma militar”. A informação surgirá da noticia que a União Europeia e a Rússia estavam desenvolvendo tecnologias de satélite similares ao GPS para “saírem das mãos estadunidenses”, explicamos, o Governo dos EUA controlam toda a comunicação GPS, é graças a ela que os misseis lançados em batalhas pelos norte-americanos atingem os alvos específicos e previamente definidos, como comboios militares iraquianos ou paquistaneses, guiados por satélite tais armas identificam “latitudes e longitudes” com o aperto de botões. Assim, tanto a Rússia quanto UE pretendem criar defesas similares e diminuir sua vulnerabilidade e dependência frente aos EUA. Lógico que a matéria da Rede Globo de TV focava as vantagens econômicas que o consumidor teria com a abertura de livre concorrência e fim de monopólio, mas a questão aqui é a seguinte:
Se seu celular ou carro contém um dispositivo GPS, você se torna ou não um possível alvo militar?
A resposta é obvia, “vai depender do que a pessoa anda fazendo ou qual é o seu nível de proximidade e aceitação com nas desigualdades sociais”, ou seja, “se você é ou não uma ameaça as soberanias nacionais”. Vejamos um bom exemplo de ação aparentemente despretensiosa que incute os conceitos de controle e vigilância sobre o povo.
Há tempos atrás começamos a observar que algumas ruas da cidade de Santo André “não foram fotografadas pelo Google Maps”. O mais interessante é que eram exatamente as áreas de bairros nobres, entretanto cada viela das principais comunidades, antes chamadas de favelas, estava todas lá, bem fotografadas. Achamos incialmente que o trabalho ainda não havia sido realizado por completo e, posteriormente, teríamos acesso as informações como juraram os ideólogos deste “empreendimento cientifico”. Passaram-se meses e nada mudou. Hoje, não sabemos como está o “Gmaps”, mas duvidamos que áreas muito, digamos valorizadas são fotografadas com a mesma utilidade de se conhecer cada recanto de uma “favela”, até porque os assaltantes poderiam planejar suas ações de ataque e fuga com tal instrumento. Tudo isso só nos levou a crer que o “Gmaps” responde a uma das estratégias de guerra presentes nos estudos preliminares do livro “A Arte da Guerra, de Sun Tzu”, famoso por ser usado há séculos por comandantes e ter seu conteúdo aplicável inclusive em empresas politicas motivacionais de transnacionais:
1- A guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, o caminho para a sobrevivência ou a ruina; torna-se preciso estudá-la com muito cuidado em todos os seus detalhes (...)
2- Portanto deve-se avalia-la em seus 5 fatores fundamentais (...)
3- O primeiro é a influencia moral, o clima, o TERRENO, o comando e a doutrina.
6 - O terreno deve ser entendido como as distâncias a serem percorridas, a dificuldade de sua travessia e o fato de representar um local aberto ou fechado.
Lógico que diversos outros exemplos pré e pós Panóptico podem comprovar o fato, mas de todos, vide as câmeras em locais públicos e etc, daremos importância ao controle sobre a net, pois é este o fator fundamental deste texto, já que mostrará também estratégias de proteção individual, ataque ao sistema patriarcal, de defesa dos ideais feministas radicais e possibilidades de insurreição feminista, a partir das experiências vividas pelo "grupo" Anonymous.
Anonymous:
A INTERNET COMO ARMA ANTI-ORPESSÃO
Começaremos esta parte final dizendo que “o grupo Anonymous” é muito mais do que tem sido exposto na mídia. Primeiro eles ideologicamente foram geniais em criar um conceito que é a completa antítese dos tempos de “Sociedade do Espetáculo”, onde o sonho burguês em ser uma celebridade se mostra tão latente quanto o desejo do enriquecimento, ao ratificar nossa condição comum de invisibilidade social exaltando ações anti narcisistas.
É fundamental compreender que num mundo que ideias divergentes ao status quo são inegavelmente silenciadas ou censuradas, ser Anonymos significa criar uma identidade politica condizente a situação que o sistema econômico patriarcal impõem as populações oprimidas em geral. O uso de uma mascara que ao mesmo tempo visibiliza e protege os indivíduos de repressões acerta em cheio o seio das ideologias dominantes midiáticas e possibilita que qualquer pessoa manifeste-se sem personalizar as ações como “desejos subjetivos de rebeldes sem causa, mas de classe econômica, raça ou sexo definidos”. Eis que este primeiro grande acerto é o ponto de partida para explicar a expansão do "grupo" que agrega e mobiliza todas as diversidades que se opõem ao mundo como ele se encontra hoje.
Entre as principais ações ligadas ao "movimento" estão as flashmob de protesto mundial, as invasões de sites governamentais e de bolsa de valores e as ocupações similares aos “Indignados de Wall Street” que andam se espalhando pelo mundo. Ou seja, não estamos falando de organizações que se introduziram nos braços do Estado como as ONGs, mas de técnicas e estratégias condizentes como a realidade que vivemos, provavelmente estes movimentos sejam a resposta social para a lacuna deixada pelos sindicatos políticos vendidos ao capital. E o que isso tem haver com o feminismo? Tudo.
Dentro do discurso feminista, inclusive muito utilizado por maçãs podres que comentam aqui no blog, como a Isolda e a Adília, “é preciso que as mulheres criem projetos de se tornar cientistas, médicas, engenheiras, etc, e não apenas donas de casa”; mas dada a atual condição nós da GRIF Maçãs Podres aprofundamos estas colocações afirmando que precisamos de mulheres e feministas (do sexo masculino ou feminino) Hackers, pois esta é das únicas formas de, num momento insurrecional, nos protegermos devidamente contra os instrumentos de tecnologia que estão sendo usados para vigiar e punir as individualidades e coletividades. Especialistas em informática capazes de desviar as informações enviadas pelos celulares, GPSs e Endereços Eletrônicos que reconhecem os computadores e locais por onde as pessoas circulam, se comunicam e divulgam suas opiniões e ideias.
É urgente também aprendermos o quê é proposto com os vídeos dos Anonymous: “Unir e Educar”, ou seja, produzir formas novas de divulgação do conhecimento sem a dependência dos grandes veículos de comunicação, principalmente levando em consideração o uso de imagem, pois, em países semi-alfabetizados, o uso da linguagem não escrita é uma arma altamente eficaz para a difusão de ideais (revolucionárias) que facilmente são censuradas ou manipuladas pelo quarto poder da impressa e educação oficiais.
Se tais reflexões parecem utópicas neste dia, quem sabe seja pelo motivo de que este é um texto para “o futuro”, entretanto assim como sofremos influencia direta do movimento Anonymous, este também podem se influenciar por nós, já que as raízes mais profundas da consciência capitalista se ramificam e iniciam nos comportamentos das diferenciações sexuais entre mulheres e homens, todo o germe da desigualdade econômica constitui seu casulo no centro das relações familiares em filhos e pais, toda matriz da xenofobia e do racismo biológico difundiram como uma radicalização da exclusão e da imposição de trabalhos subalternos gerada pelas diferenciações de classe sexual na divisão do trabalho pósmatriarcal. Venhamos e convenhamos qualquer levante revolucionário que não focalize a transformação completa dos papeis sexuais não perdurará sem uma contraofensiva reacionária gerada em sua própria contradição, posto que os ideias de superioridade não serão eliminados.
Sim somos 99%
...mas as mulheres burguesas são apenas 1% dos 1% que lutamos contra. 99% dos inimigos dos indignados são homens burgueses, provavelmente, em sua maioria, brancos, e se a revolução é anônima, os inimigos os conservadores tem raça, classe econômica e sexo bem definidos.
Viva a insurreição -GRIF Maçãs Podres

11 comentários:

yumehayashi disse...

Falando em opressão,uma amiga minha aí perto de vcs está sofrendo perseguição de ex-marido...eu indiquei os Conselhos de mulher aí de SP,ela está em Diadema...é perto de vcs?Vcs poderiam dar uma força?
Eu envio no email mais detalhes.

gabriel disse...

Anonimos – Inimigos do Estado
Após assistir um vídeo do Anonymus e ler o comentário do GRIF Maçãs Podres, confesso que tomei um gole de consciência. Pode aparentar um pouco de paranoia, e aviso logo, que também não concordo completamente com um ponto do anônimos, mas vamos devagar.
Primeiro, em relação a um filme norte-americano, chamado de Inimigos do Estado, percebi algumas ideologias interessantes contra a ideologia dominante, mesmo sendo um filme hollywoodiano, a primeira é, o protagonista é negro. Inicialmente, ele era um homem do Estado, inserido no sistema, mas que discorda dos avanços nos aparatos de vigilância do Estado, no filme, o dialogo era sobre “grampos”, todas as pessoas teriam seus telefones monitorados, sob um pretexto de luta contra os inimigos externos – terroristas. Entretanto, o protagonista acaba por receber por acaso, dados informatizados envolvendo um membro do Estado. Ele é perseguido e inicia-se em contrapartida, um aprofundamento nos modos de controle e monitoramento do Estado. Mas a ressalve é, o protagonista recebe os dados num tipo de cartão de memória, de um cara que ele não conhece, ou seja, um anônimo...Mais a frente no enredo, ele percebe que toda a tecnologia de monitoramento contra “terroristas”, acaba se tornando uma ferramenta de controle do Estado contra seus próprios cidadãos; ou seja, é usada internamente contra sua própria população. Qual o ponto ideológico pertinente?
Até que ponto permitiremos que Estado monitore nossas vidas?
Conheço pessoas que dizem que “quem não deve não teme”, mas quem deve? Somente os criminosos, inimigos do Estado? Quando mudaremos de lado, ou seja, quando passaremos de cidadãos comuns para Inimigos do Estado, terroristas? Quem determina se somos inimigos ou não? Tenho certeza que não seremos nós, assim como no filme mencionado, também não é o protagonista negro.
Então, quando seremos vistos como perigo para o estado?
O GRIF também me fez pensar em outra questão: assistia a invasão das favelas no Estado do Rio e sempre dizia para outras pessoas – “o Estado sempre pode lutar contra o trafico, mas por que só faz isso com a chegada da Copa?” – não percebi que isso ia mais além. Ideologicamente, a questão era de classes – os interesses das mega corporações e em outras palavras, da classe dominante, está sob ameaça e que, portanto, deve ser protegida da parcela social que está “à margem” da sociedade.
Como podemos incorrer rapidamente em paranoia...Há alguns meses, após a exibição do filme TRAPA DE ELITE 2, encontrei numa rede WALL MART, uma revista, se não me engano da VEJA, cuja capa era o ator WAGNER MOURA, como CAPITÃO NASCIMENTO. A “reportagem era: CAPITÃO NASCIMENTO, O HEROI BRASILEIRO”, comparação literal com o SUPER-HOMEM norte americano.
Então, meses depois vemos as ações “pacificadoras” das forças de segurança do Estado; reportagens mostrando o preparo das forças armadas, BOPE, PM, EXERCITO, MARINHA, contra a guerra aos “inimigos do Estado”.

gabriel disse...

Continuando...
Relacionando os assuntos temos então, que a uma ideologia de exaltação das forças armadas nessa marcha por “Deus e pela Família”, contra os inimigos do Estado; onde, a tecnologia visual, unida a campanha da mídia, está sendo utilizada para justificar ações militares contra criminosos. Isso não é de todo mal, logicamente, afinal, pois está beneficiando sim a população. Mas até que ponto o controle, a vigilância, serão necessários numa democracia, será que não haverá limite. Quando essas mesmas tecnologias serão utilizadas contra os ‘inimigos internos”.
Certa vez, um sociólogo disse que há uma relação entre vigilância e democracia, uma razão, intrínseca, mas aparentemente, a situação é bem mais delicada, por que quando é que essa razão diretamente proporcional, se tornará inversamente proporcional?
Qual o ponto que discordo, fora do contexto, com os anônimos: bem, é pessoal, acredito que um mártir não anônimo, em algum momento será necessário...Por hora, sem o enfrentamento direto, dado, como diria o nosso feminista e historiador Patrick Monteiro, vivemos um período de resistência e não de enfrentamento.
Espero ter contribuído de alguma forma com esse “ciber-ativismo”.
Saudações a todos,
G. Carax.

Iony disse...

A maneira como vc posta os videos ,impede uma boa visualização do texto....pq come partes.

Márcio disse...

A intervenção na rocinha no século XXI está para uma intervenção do senhor de engenho na senzala no século XIX. Sabemos que não existe interesse nenhum das autoridades em ajudar aquela população marginalizada desde 1897 quando os veteranos da guerra de Canudos ocuparam o morro da providencia, esperando que o governo pagasse o que o foram prometido. O que não aconteceu e foram esquecidos até 2010 graças à copa do mundo de 2014. É incrível que uma nação faça tantas coisas graças uma bola de futebol, chegam a até se matarem para defender um time de futebol enquanto, o governo faz verdadeiras orgias com o dinheiro publico e as pessoas aceitam isso com naturalidade, embora o império romano tenha caído a quase 2000 anos a celebre tática de entorpecer a sociedade com “pão e circo” se faz eficiente nos dias de hoje.

Maçãs Podres disse...

yumehayashi
Vc tem nosso email, e precisamos saber se sua amiga deseja ajuda ou não e só assim saberemos como e se podemos ou não ajudá-la. Repasse nosso contato a ela, e assim iniciamos uma conversa.
Saudações

Maçãs Podres disse...

Márcio
Numa semana tão reflexiava e emblematica que estamos vivendo, seu comentario acrescenta fatos importantes ao inicio do texto, ao ponto que tb estabelece uma relaçao como o comentario do GABRIEL (a quem agradecemos a importante participaçao no comentario amplo e abrangente) já que a populaçao negra sempre foi vista como o principal Inimigo do Estado Brasileiro, anonimos constantemente vigiados, excluidos e retaliados, os mesmo que por tanto tempo tb eram os principais inimigos internos dos EUA.

Agradecemos ambas as psrticipaçoes.
Saudações feministas!

Maçãs Podres disse...

Iony,
agradecemos a dica e, como vc pediu, alteramos a formatação dos vídeos para facilitar a leitura do texto.
Saudações feministas.

yumehayashi disse...

Valeu ^_^,vou falar com ela( e até que enfim caiu a ficha...vcs agora sabe que tem mulher que não quer e nem vale nossa ajuda,considerando o que vcs escreveram)

Agora em realção ás UPPs:não são o que vcs descrevem,não foram feitas para vigiar o cidadão e tenho amigos e parentes na favela,e a maior párte da populaçãodas favelas é afavor da UPP,apesar da Globo insistir em construir esta imagem e pessoas sem conhecimento de causa insistem em fazer,ignorando o que nós cariocas dizemos.O objetivo é de expulsar os traficantes o que realmente fizeram.As reclamações são:em relação á crminosos disfaçardos de policiais que começaram a ameaçar a população e a falta de recursos investidos na favela para evitar que futuramente as crianças de hoje se tornem traficantes( crítica esta feita pelos coordenadores das UPPs).

Não tem nada ver com este papo de canudos,vigilência,ou sej alá o que for.Caso duvidem,convido-os para virem aqui no Rio e comprovarem por si só,ou darem outra solução para este nosso problema sério,que pune inclusive os povos das favelas (ex: traficantes exigem filhas de modadores para violentar,caso eles se engracem por elas,mandam o pessoal soltar as crianças na hora de tiroteios para impedir polícia de atirar neles,dentre outras atrociades escondidas da mídia que parece exaltar traficantes como "heróis nacionais")

Maçãs Podres disse...

Isolda "yumehayashi":
Nós trabalhamos na rede de assistência e saúde, e sabemos com conhecimento de causa do que estamos falando, sobre valer a pena a ajuda, Todas valem a pena, até porque são pessoas, mas as entradas e os diálogos tem que ser feitos de formas diferentes. Para esta sua amiga, que inclusive pode não querer ajuda, tem que ter uma rede de acolhimento, dependendo da situação financeira ela precisa da Assistencia social do município que ela reside, ela vai precisar de uma rede de saúde para que cuide da sua saúde mental e sua saúde física e dependendo do caso, acionar os meios legais de proteção, neste casos os abrigos tem que ser acionados. Não só a simples conversa, e sim acionar o que é de direito de todas as mulheres que sofrem com a violência, muitas vezes não conhecer estes meios é o modo da violência perpetuar. Estas redes são nacionais, em todos os municípios e estados tem. E lembrando que todas estas redes foi uma luta, e ainda funciona capenga.

Sobre as UPPs: Eu, Ana Clara, estive em alguns momentos no Rio de Janeiro para algumas atividades de militância e fiquei em duas comunidades ou favelas, onde fui muito bem recebida, diferente de um bairro burguês onde fiquei aí tbm no RJ e que o tratamento foi completamente outro.
E nestes dias pude perceber como é difícil conviver com jovens armados com rifles maiores que sua própria altura e ver crianças olhando para estes mesmos jovens e sonhando um dia estar no lugar deles. Nesses dias conversei com a galera que me recebeu, pude ver e escutar o que eu já sabia, pq aqui na favela onde morei, tbm convivia com isso ou em Recife, a realidade não é diferente, o mercado se mantem e a policia continua com o mesmo papel. E é de se esperar que todo exército em guerra utiliza a população como escudo de proteção, não pense que os brasileiros não fazem isso no Haiti.

Maçãs Podres disse...

Continuando..
Como já disse, nós aqui tbm vivemos esta realidade da ação higienista da policia em relação aos usuários de crack. E todo burguês paulista tem a mesma fala que você.
Vemos a ação da policia, que nem de longe é para acabar com o trafico ou acabar com o uso e a existência das drogas. As drogas fazem parte da historia da humanidade e nos nossos tempos virou produto, quer dizer rola grana, o falo do capitalismo. Para se falar da ação das UPPs tem que se analisar diversos aspectos:
Primeiro o sistema econômico; segundo para que existe policia e para quem ela serve; terceiro quem é o inimigo; e quarto qual é a cor da Rocinha e de todas as comunidades “”pacificadas”???? Só este nome Pacificadora já diz muita coisa, como manda a letra: Paz sem voz, não é paz é medo!
Ninguém aqui glorifica o trafico, mas não somos ingênuos em acreditar que estas UPPs estão para salvar ou resguardar a segurança do povo, pois agora sai o traficante e seus soldados e entra o Estado e seus soldados, com as mesmas armas e tratamento de violência, mas agora legitimado pelo Estado, burguesia e mídia, para proteger os estrangeiros brancos, descendentes dos colonizadores, que virão para o grande evento que importa de verdade: A copa do mundo. Com disse um comentarista na Globo: “Como iremos proteger os estrangeiros que virão para a Copa?” A resposta esta aí! Assim como fizeram nos jogos pan-americanos, que ninguém do morro podia descer livremente para o asfalto, sem uma batida policial.
Conheço um grupo militante de esquerda, chamado Lutarmada, são pessoas moradores destas comunidades, que ao que parece vc não mora, e que poderia te passar mais informações sobre estas ações e o que acontece na real sem ter a ilusão de que esta ação irá mudar a vida dos moradores, se quiser o contato passamos pra vc.
Assim, acrescentamos que a “pacificação” tem uma função de Estado, pois sabemos que as comunidades que possuem milícias não foram ocupadas no mesmo número que os morros do trafico. Morros estes, com todos os problemas que sabemos, mas que antes de mais nada são resquícios de uma escravidão intolerante, e que nos casos dos milicianos, muitos servidores das forças legalistas, reproduzem as feitorias do Estado, e desta maneira são tão ou mais preocupantes e perniciosos que “os marginais do comercio de drogas”. Busque as origens da burguesia em seu comercio de “especiarias” e descubra como se armaram, comportaram e criaram o Estado Nacional burguês, não muito diferente do “Estado Paralelo do tráfico”, ou seja, a questão é os senhores do poder mais uma vez reproduzem os comportamentos escravocratas com o auxilio das forças patriarcais brancas a quem representam.
Não seja ingênua, não existem “heróis” apenas “bandidos” e “bandidos”, alguns, porém, consequência de um sistema escravocrata e outros colaboradores deste mesmo sistema, eis a guerra civil carioca que estabelece uma disputa comercial e racista, bases do patriarcado do capital brasileiro, que estupram mulheres pretas (e brancas) sem nunca ter precisado da venda da cocaína para isso, apesar que antes o pó branco ou ouro branco, historicamente, era outro. A solução: Elimine todos os resquícios da desigualdade econômica, ofereça oportunidades reais de igualdade para a população, faça valer as reparações históricas existentes nas ações afirmativas, como o pagamento de 10 milhões de reais para cada família da favela; e por fim socialize as grandes mansões criando habitações dignas e todos os direitos humanos que todos e todas tem o direito, saúde, esporte, lazer e cultura. De onde virá este investimento? Dos bilhões que serão gastos no maracanã.
Enquanto isso seria muito melhor, uma mulher preta, carioca e feminista, fazer uma analise real, historicizar, estudar, analisar a economia o sistema e o patriarcado que vivemos, para não legitimar esta ação como algo resolutivo; pois a mídia, os brugueses e os homens de “falo” já estão fazendo.

Desculpe, mas você não é uma simples leitora de blogs em inicio de militância.

Sem mais.