10 de mai de 2011

As mulheres são a maioria em condições de extrema pobreza, segundo IBGE


foto: Roberto Macedo

O sistema patriarcal se sustenta economicamente (no Brasil) com a manutenção de duas desigualdades básicas: a de classe sexual (opressão dos homens sobre as mulheres) e a de classe racial (opressão das pessoas brancas sobre as negras). E os resultados preliminares do Censo 2010 do IBGE comprovam que o diversas vezes já afirmamos aqui no Maçãs Podres: “o capitalismo é a atual expressão econômica do patriarcado”, pois, segundo a pesquisa, as mulheres são a maioria das pessoas que se encontram na linha da miséria (aquelas que sobrevivem com até 70 por mês) do Brasil.
Dos 16.267.197 de brasileir@s  (8,6% da população do país)  de pessoas em situação de extrema miséria,  8.219.881 (50,5%) são do sexo feminino, enquanto  8.047.316 (49,4%) são do sexo masculino. E mesmo longe de ser uma novidade, a pesquisa comprovou que  +70% destas pessoas é formada por afrodescendentes,  (com 10.054.586 de pardos e  1.456.915 são pessoas que se declaram negras). E pior, do total geral,  9.779.650 são alfabetos.
Abaixo mostraremos a cara dos homens mais ricos do Brasil para que não nos esqueçamos quem são os inimigos e faremos uma pequena análise dos dados divulgados:

fonte: http://lista10.org/dinheiro/os-10-mais-ricos-do-brasil-2011/

ANÁLISE PODRE DAS MAÇÃS
Estes dados destroem qualquer canalha que afirme "a miscigenação é a grande qualidade do povo brasileiro", argumento tacanha e atroz do elitismo cultural deste país, usado para a manutenção do analfabetismo estrutural dos pobres, para conservação das privações econômicas imposta a comunidade negra e para o controle monopolista do conhecimento e dos cargos de chefia na mão dos machos (de segunda mão) da intelectualidade branca brasileira, (como demonstra o homem que atende pelo vulgo de Arnaldo Jabor, no vídeo ao lado).
Qualquer feminista que analise os dados, sem um único traço de ufanismo e com um mínimo de conhecimento crítico e lógico, perceberá que a “miscigenação” (fruto de perversas violências sexuais, das relações bastardas de micropoder e dos privilégios sexuais dos homens brancos brasileiros), enquanto teoria, tem servido para escamotear o racismo econômico deste pais que muito tem haver com a desigualdade sexual pela qual lutamos contra e, enquanto prática, serviu para manter o exército negro de excluídos sob a égide da miséria econômica que em muito possibilita uma abertura de mercado de trabalho para as mulheres da classe média branca brasileira.
É muito “foda” imaginar que os mesmos homens miseráveis que foram identificados nos dados do Censo 2010, não possuem condições de identificarem que o machismo também é a opressão dos homens ricos e brancos sobre os homens pobres e negros (leia os textos "O complexo do Édipo Negro e O complexo de Édipo Negro II, a masculinidade do homem negro"). É muito “foda” saber que, como lacaios de seus carrascos sociais, os machos da parte de baixo do apartheid econômico brasileiro se agarram a uma masculinidade burra que cristaliza, neles, sentimentos de superioridade que, no fundo, são apenas projeções do pênis dos homens que eles não são, pois não possuem as condições materiais de sobrevivência que caracterizam o poder masculino dentro do patriarcado do capital.
Contudo, muito mais “foda” é lembrar que existem mulheres na mesma condição de lacaias do capital.
Feitoras que colaboram com o aumento de poder dos mega empresários, mantendo cativas as demais mulheres (em sua maioria negras),ao  assumirem os privilégios miseráveis de sua condição racial. Feitoras capazes de afirmar que o feminismo está superado, pois estas não encontram problemas em se posicionar socialmente com uma independência financeira possibilitada pela histórica usurpação promovida pelo racismo estrutural desta terra Brasil.
No todo, nos dói ainda mais imaginar que existam feministas (brancas) sem um mínimo de consciência racial e contribuindo para a “invisibilidade” do racismo patriarcal brasileiro. Quando não declaram abertamente que é graças também a condição racial que nós mulheres podemos usufruir de uma mínima condição “feminina” privilegiada, estas nada mais fazem do que colaborar com a manutenção do machismo estrutural desta “nação”. Mas isso, em seus por menores, deixaremos para o próximo texto.
Texto: Ana Clara Marques e Patrick Monteiro

Um comentário:

Mari Bento disse...

é foda mesmo tudo isso, mas o bom é poder ler e saber que existem açoes de feministas que colocam essa pauta na ordem do dia, como foi o que voces fizeram. Sempre em movimento e sepre na luta! Mulheres feministas presentes!