23 de ago de 2009

O COMPLEXO DO ÉDIPO NEGRO

Racismo um fenômeno sexual dentro dos movimentos de esquerda Com propriedade podemos falar um pouco de masculinidade negra, por nossa base teórica e principalmente por nossa vivência!

“(...) a identidade masculina está enraizada na identificação com “aquilo que funciona”, seja o pênis ou o Estado. Atualmente tornou-se necessário ao homem subordinar “aquilo que funciona” –vale dizer, as conquistas tecnológicas e político-militares- à mera preservação da espécie humana.”(Hendrik M. Ruitenbeek)

Édipo Negro nasceu órfão numa sociedade branca. A situação que lhe foi imposta fez surgir dois desejos, o de conquistar todo o poder que lhe foi negado, destronando o Senhor do engenho e o desejo de desposar o seu maior troféu: a esposa. Após matar a figura do Sr. Branco e consumar a Sra. Branca, Édipo Negro fura seus próprios olhos, pois vê no espelho que ambos projetaram nele o seu reflexo.
No conceito psicanalítico do Complexo de Édipo (o filho tem uma preferência velada pela mãe, acompanhada de uma aversão pelo pai) podem ser encontradas partes das raízes para se compreender os fenômenos psicossociais do racismo/sexismo dentro dos movimentos sociais. Para Shulamith Firestone no livro Dialética do Sexo, o fenômeno do racismo se observa como um “machismo potencializado”, ou seja, o racismo se fundamenta como derivado dos fenômenos psicossexuais do patriarcado.
Para compreender a tese dela é necessário utilizar o modelo explicativo de Freud, adaptando-o. Firestone afirma que na hierarquia patriarcal da sociedade ocidental, o homem branco representa o pai, a mulher branca representa a mãe-esposa e o homem negro representa o filho bastardo.

Como no Complexo de Édipo, o desejo dos homens negros é destronar os homens brancos, sobrando pouco espaço para as mulheres. Assim como as crianças e as mulheres, numa sociedade racista, os negros foram estigmatizados pelos seus fenótipos para justificar as estruturas desiguais de poder.

Diante dessa “organização” nuclear da sociedade, os homens negros não tem o lugar mais privilegiado e seu lugar, nesta sociedade, está vinculado a sua sexualidade de forma agressiva, fazendo com que ele se subordine a avaliação do opressor (homem branco), como exemplifica Firestone:

“ o jovem médio do gueto atua como cafetão, ou então se prostitui como de rotina, sendo seu valor como” homem” avaliado pelo modo como ele é capaz de comandar suas putas – e por quantas ele pode comandar ao mesmo tempo. Ele se torna um mestre da lábia, do papo de segundas intenções. Se é capaz de agarrar uma “gatinha” branca, esse é um ponto a mais no seu crédito – pois é um golpe direto ao homem branco (Pai).”

Infelizmente a lógica de opressão sexual, não está à parte dos movimentos sociais de raça e classe. O homem branco de esquerda e o homem negro – infelizmente para as mulheres negras – não estão preocupados com igualdade e sim com poder MASCULINO. A retórica bem estabelecida sobre justiça e igualdade é a forma camuflada de expressar esse desejo de poder masculino.


“Ser reverenciada não é ter liberdade, pois o culto se passa na cabeça do outro e essa cabeça é do homem”
É comum observarmos dentro dos movimentos sociais, militantes negros e de esquerda, buscarem a legitimação de poder através da sexualidade. Uma estratégia bastante comum entre militantes (que muitas mulheres não tem percebido), é a aproximação com uma falsa camaradagem. Muitas vezes estes homens sentem-se irritados com nossas reações e indignações, e para nos deixar mais acessíveis, manipulam suas próprias formas de comportamento tentando agradar-nos, nos dando uma ilusão de poder, que será útil a eles sexualmente e dentro do jogo de poder que constitui a identidade masculina, oposta do homem branco. Alguns pseudo-revolucionários (maioria) optaram por “aquilo que funciona”, ou seja, o poder masculino e o poder político dentro do Estado, e não sua destruição total, embora gritem sempre o inverso.


É evidente que os militantes negros estão exercendo sua sexualidade conforme o modelo existente (patriarcal). A mulher negra converte o seu papel dentro da sociedade sexista do capital, de prostituta para “Adorada-Rainha-Negra-Mãe-de-Meus- Filhos”. Com a exaltação da instituição familiar patriarcal, o homem negro muitas vezes passa a atuar dentro do espaço de luta e da comunidade como opressor. Almejando colocar esse poder (de pai) para além desses espaços, atingindo uma instância maior (Estado). Pois diferente do que os homens pensam:
“Ser reverenciada não é ter liberdade, pois o culto se passa na cabeça do outro e essa cabeça é do homem”

TEXTO:  Patrick Monteiro e colaboração de Élida Pereira

12 comentários:

Paulo Kassan disse...

Lendo este artigo eu consegui perceber de maneira bem clara como se processa o radicalismo deformado do feminismo contemporâneo que identifica a família em si como apenas uma instituição representante do Patriarcado opressor. Fiquei impressionado com a sofisma que é desenvolvida no texto principalmente no que diz respeito na afirmação final a onde é dito:“Hoje o maior opressor da mulher negra é o homem negro”. Esse texto feminista é estruturado sobre uma visão completamente Eurocêntrica. Como militante do movimento negro eu posso dizer que as prioridades das ativistas negras devem ser completamente diferente das reivindicações feita por ativistas brancas.

Eu faço tal afirmação pelo motivo que
as situações que se encontram as mulheres negras é diferente daquelas habituadas por mulhers brancas. O feminismo defendido por militantes brancas não pode se adequar as necessidades das mulheres negras a formação da família negra se deu por intermédio de uma situação de subjugamento social a onde foi negada a liberdade para os homens é consequentemente as mulheres dessa maneira o nucleo familiar negro foi constituido sobre condições adversas o objetivo das militantes negras deve ser de lutar pela construção de um modelo familiar renovado isso não significa que os homens negros estejam utilizando as mulheres como marionetes para formentação do Patriarcado pelo contrário ambos as partes masculina é feminina devem reconheçer a importância de se manterem unidos para melhor pode reverter a situação de opressão a qual foram relegados pela dominação branca.

maças.podres disse...

Como vc disse Paulo Kassan...
“De maneira bem clara” – preferimos de maneira bem objetiva – o feminismo radical identifica e sempre identificou “EM-SI” a Família Patriarcal como uma instituição opressora para as mulheres. “EM-SI” as deformações do feminismo são aquelas que tentam adaptar as Leis do Estado, as Instituições Familiares e a Moral Religiosa para as práxis feministas. Seria o mesmo que dizer que “tentaremos adaptar o racismo ou a escravidão a luta dos Black Panters ou dos Abolicionistas negros”.
O pretenso “sofisma” dito por você lhe é incompreensível, pois sua lógica é a mesma dos brancos que afirmam “não existir racismo” ou dos burgueses que afirmam que “nossa sociedade oferece oportunidades iguais para todos”, basta você ler A alma no Exilio, de Eldridge Cleaver, que ele mesmo admitiu as concepções e criações sociais que induziram a representação do “Criado Super-masculino” e suas visões essencialistas sobre as mulheres brancas e negras. Desta maneira, se é “sofisma eurocêntrico” é do Cleaver, e não nosso.
Concordamos num aspecto: as prioridades das ativistas negras é e dever ser completamente diferente, mas das prioridades dos homens negros que as submetem a posições subalternas dentro do movimento e concepções que secundarizam o fenômeno do sexismo racial de classe. É por tal motivo que você como homem respondeu o texto, pois sabe bem qual tem sido o local das mulheres negras dentro dos movimentos e, por conseqüência, dentro desta sociedade.
Por fim, as respostas sobre a frase final, sobre os modelos de família surgidos a partir do seqüestro de africanos e a proposta de união virão nos textos a seguir. No momento, esteja aberto apenas para entender a situação exposta, pois os autores do texto são negros – uma mulher e homem – que atuaram e se encontram descriminados dos mais diferentes níveis desta sociedade.

Madressilva disse...

Excelente texto...e não vejo necessidade deste "bla,bla,bla" com um homem que pelo o que jé percebi,não passa de mais um que tenta confundir e desestruturar a luta feminista,se utilizando de um discurso "intelectual".Já observei isso várias vezes nos grupos que participei...

Paulo,coloque uma coisa na sua cabeça: antes de ser negra,india,branca,mestiça,rica,pobre,seja o que for,as mulheres são mulheres,e todas sem excessão,sofrem com o patriarcado.Não importa o quanto de palavras bonitas e cultas você use,o machismo existe para todas nós.Se o que vc alega é verdade,então,como explica a cultura pimp nos EUA? Como explica a obssessão de negros bem-sucedidos procurarem louras para realcionamentos? E aonde o homem negro não é machista? Já pesquisou a fundo a situação das mulheres negras lá na África? Existe "coleguismo e igualdade"? Se disser que sim,eu como mulher negra,me sinto profundamente ofendida. Sinto muito,mas quem está com idéias distorcidas não são as autores deste texto...a opressão para nós vem dos 2 lados: branco e negro.
E pouco me importo o que você venha aqui responer,não vai mudar em nada nossa realidade,e com toda sinceriade sem palavras pseudo-intelactualóides:já estamos fartas destes tipo de discurso dissimulador de taxação do feminismo como algo "radical".

É por isso que mais uma vez eu escervo para as donas deste blog parar de fundir feminismo com outras causas,porque é este o resultado.O feminismo no Brasil tem que para e ficar usando outras lutas como bengala e se concentrar no nosso problema,de mulher de todas as raças,que não é o dos mais fáceis de se resolver.Raramente vcs verão o feminismo incluído nas "causas humanistas" de qualquer homem,seja ele de qualquer raça,classe ou nacionalidade.

Paulo Kassan disse...

Resposta para MadreSSilva:

Em primeiro lugar eu não tenho como objetivo confundir e desestruturar a luta feminista eu em momento algum menosprezo a existência da ação poder patriarcal sobre as mulheres ou desclassifiquei o movimento feminista o que eu questionei principalmente foi a afirmação do texto quando é dito que o homem negro e o maior opressor da mulher negra.

O que eu não entendo como o homem negro que desde o início da formação desse país até os dias atuais sempre teve cerceado o direito de cumprir funções de comando na sociedade pode ser considerado como o opressor das mulheres negras isso e incompatível com a realidade.

Primeiramente vc afirmar o fato que antes de ser negra,india,branca,mestiça,rica,pobre,seja o que for,as mulheres são mulheres,e todas sem excessão,sofrem com o patriarcado. Para se fazer tal afirmação você ignora totalmente as relação sociais sejam elas historicas ou objetivas para mim não é possivel enquadrar sobre o mesmo angulo a ação do patriarcalismo em todas as mulheres. Será mesmo que as condições de vida de uma mulher rica são iguais a de uma mulher pobre? eu entendo que a mulher rica em algumas ocasiões sofre com o poder de dominação do patriarcado e do machismo porém como sendo economicamente beneficiada esse processo não pode ser comparado com o mesmo sofrimento de uma mulher pobre que vive constantemente em uma precariedade social.

Paulo Kassan disse...

Continuação da resposta para Madressilva :

A cultura Pimp é um produto direto da sociedade capitalista existente naquele país ela expressa a fusão de uma conduta hendonista,materialista, machista, sexista. Pode se entender essa cultura como um processo de assimilação dos jovens negros a ideologia burguesa professada nos Estados Unidos mais deve ser salientar que tal cultura não e adotada por toda juventude masculina negra Norte-americana.
apenas aqueles que conseguem ascender economicamente como por exemplo rappers, jogadores de basquete podem usufruir dessa cultura.

já em relação a obsessão dos chamados negros ''bem sucedidos'' por mulheres loiras a minha opinião a respeito e que essa obsessão faz parte dos sentimentos de conquista desses homens que enxergam nessas mulheres mais um sinal para comprovarem suas próprias vitórias pessoais.

Você ainda questiona meus conhecimentos a respeito da situação das mulheres na Africa. Antes de responder eu posso citar um bom exemplo a civilização Cush: que construiu uma sociedade a partir de um base matriarcal de poder a onde se estabeleceu o equilíbrio entre os gêneros e a difusão da justiça e igualdade. A mulher que comandavam o poder eram conhecidas como kandace o exercício do poder não era vitalício e nem hereditário. Uma kandace governava por dez anos, outra por vinte anos, outra por 30 anos, em seguida o ciclo recomeçava em uma alternância de poder, o que evita o despotismo, possibilitando uma paz política. Após esse exemplo eu digo que a invasão, colonização, feitas pelos Europeus introduziu novos modelos produtivos, baseados na exploração de classes sociais isso possibilitou a destruição dos valores de muitas sociedades Africanas muitas delas baseadas em um poder matriarcal, isso se reflete atualmente na condição de vida das mulheres Africanas a onde fatores como: doença fome,guerras civis, pobreza, violência sexual deixam essas mulheres em risco constante.

Não considero como sendo palavras pseudo-intelactualóides quando eu argumento
que os efeitos do poder patriarcal sobre as mulheres negras e distinto em relação as mulheres brancas. Você tem uma opinião formatava por uma perspectiva que elimina o racismo como acresente na situação de opressão das mulheres negras.

além disso vc expressa um sectarismo profundo quando reduz todos os homens de qualquer raça,classe ou nacionalidade a condição de opressores do gênero feminino ao meu entender você defende apenas um separatismo entre homens é mulheres. Suas concepções não pode ser identificadas como feminismo é sim como femismo.

maças.podres disse...

Tirando máscaras:

1. Paulo Kassan ainda não respondemos os motivos que levaram a uma militante negra afirmar a frase em questão, mas podemos identificar que neste debate você homem negro, se tornou o opressor de uma mulher negra. Vamos aos fatos:
2. Sutilmente chamou a Madressilva de Nazi, colocando estes dois “SS” que se refere a policia Alemã de Hitler. Piadinha de mau gosto...

3. Para afirmar sua masculinidade intelectual você ao invés de criar seus argumentos, você editou um “textículo explicativo” sobre o Império Cush. Vimos o mesmo texto em vários blogs e no primeiro assustamos quando vimos que o blog era de uma linha Panafricanista CRISTÃ. Eis a explicação para tanta defesa da família. http://cnncba.blogspot.com/2008_08_01_archive.html

4. Este termo, femismo, que você utiliza para dizer que mulheres que batem de frente com homens são sectárias, é o mesmo termo utilizado e criado por homens e mulheres brancas que querem deslegitimar o feminismo. Uma boa leitura para você entender como este termo é perigoso, está no nosso blog: O MITO DO FEMISMO

5. Apesar de sermos totalmente contrárias a opressão de qualquer oprimido, não teremos o menor pudor em denunciar que você entrou no Orkut de uma de nossas companheiras, não é Henrique, (mulher Branca, como vc mesmo viu) e após pedir o MSN dela, ao perguntar para que voce queria o contato, a sua resposta foi: “ Mulherzinha de araque; eu não queria mesmo manter contato sua feminista de araque”.

6. Por fim, não somos maçãs podres por acaso, ou você legitima sua luta ou deslegitima toda uma causa de luta contra a opressão. Estamos de olho...

Paulo Kassan disse...

1° Pelo fato de ter respondido a Madressilva isso me torna um opressor da mulher negra?

2° Realmente eu não tinha a intenção de fazer uma analogia entre o nome Madressilva com a polícia política nazista SS (Schutzstaffel) foi algo involuntário. Mais eu posso afirmar que Madressilva agiu de maneira totalitária quando diz: ''Raramente vcs verão o feminismo incluído nas "causas humanistas" de qualquer homem,seja ele de qualquer raça,classe ou nacionalidade.''
para mim isso é uma tipica característica femista a onde se demonstra uma oposição total a todos os homens independente de sua classe social ou ideologia política.

3° Eu utilizei sim o texto do blog da organização CNNC como referência para estruturar meu argumento não vejo motivos para negar, quando Madressilva questiona meus conhecimentos a respeito da situação das mulheres negras na África usei o exemplo da Reino Cush que assim como outras sociedades Africanas foi regidas pelo poder matriarcal mais que devido a colonização Europeia foram destruidas. Eu compreendo que vocês tenham repúdio pelo Cristianismo por que vocês estão apenas habituadas com as praticas Católicas é Protestantes vocês pouco ou nada conheçem do Cristianismo de matriz Afrina também entendo que não tenham simpatia ou conhecimento a respeito do Pan-africanismo devido ao fato que seus pensamentos políticos são formatados seguindo teorias Eurocêntricas. Apesar de não ser Cristão eu respeito,o trabalho do CNNC a única organização que expoem através de uma concepção Afrocentrada a própria história da África algo que esta em oposição ao modelo Eurocentrista que domina os estudos acadêmicos no Brasil.

4° Eu não sou um reacionário, opositor do movimento feminista o que eu questino é a maneira como o algumas mulheres concebem o feminismo, eu percebo que existem mulheres que
transformam o feminismo em um simples movimento
de aversão ao sexo masculino que identifica
todos os homens,como opressores a serem odiados e destruídos.

5° Em relação ao orkut o que eu digo é que tive uma reação justa a ríspita indagação feita por sua companheira eu enviei, o endereço do meu msn algo que faço com todas pessoas que adiciono
mais percebi a forma desconfiada como fui tratado, a sua companheira poderia ter visto que eu dedico um álbum inteiro a 43 mulheres que eu tenho profundo respeito pela vida dedicada a luta pela liberdade.

6°Eu não uso minha luta para deslegitimar outras lutas sinceras feitas por quem realmente defende a transformação concluo com uma oportuna frase de Frantz Fanon :"nós não somos nada sobre a terra, se não somos, desde logo, cativos de uma causa, a dos povos, da justiça e da liberdade."

maças.podres disse...

"Pelo fato de ter respondido a Madressilva isso me torna um opressor da mulher negra?"


Sim. Se tivermos como parâmetro o fato de você ter negligenciado nossa resposta quando identificou que não falava com pessoas que desconheciam os textos básicos sobre masculinidade negra. Buscou responder a Madressilva no que você se considera intelectualmente forte, ou seja, superior - como homem negro bem articulado - nos argumentos de sua causa. Como todo homem machista de movimento social, você acredita que não é machista em suas ações e acaba reproduzindo o machismo de maneira simbólica quando deseja se impor intelectualmente a quem você considera menos qualificado, ao ponto que você considerou os argumentos dela como “femismo” sem nem se dar conta do que significa tal conceito e quem o criou. Você reproduziu a terminologia como um machista que reproduz o cavalheirismo sem se considerar opressor. Neste caso infeliz, uma mulher negra. Mas fique tranqüilo que não existem “pecados” e o que você esta sentido é “culpinha cristã”.

Élida R. Pereira, “Mulher” negra pobre, feminista revolucionaria e Anti-machista.


“Realmente eu não tinha a intenção de fazer uma analogia entre o nome Madressilva com a polícia política nazista SS (Schutzstaffel) foi algo involuntário...”

Como dissemos tudo no machismo é “involuntário”, e se ela foi totalitária na resposta, releia sua primeira colocação que insinua que o texto teria sido escrito por “feministas brancas”, sem se certificar quem eram As Autoras do texto – como bem nos lembrou a Madressilva.

“Eu utilizei sim o texto do blog da organização CNNC... . Eu compreendo que vocês tenham repúdio pelo Cristianismo por que vocês estão apenas habituadas com as praticas Católicas é Protestantes vocês pouco ou nada conheçem do Cristianismo de matriz Afrina também entendo que não tenham simpatia ou conhecimento a respeito do Pan-africanismo devido ao fato que seus pensamentos políticos são formatados seguindo teorias Eurocêntricas...”

Que coisa mais intolerante – tsc, tsc, tsc – de um homem “tão consciente” como você diz ser. A Élida e Eu fomos membros de um Grupo Negro PANAFRICANISTA, mas se você quiser saber o nome do grupo pergunta a INDIANARA.
Por fim, como feministas temos aversão a qualquer ser humano que exercite e se identifique com o papel social de “ser homem” e se a Madressilva tiver a mesma concepção, somos aliadas de uma mesma ótica. Mas é natural que você não entenda o que é ser homem, pois como “homem” você terá que se esforçar muito para entender o que é feminismo.


Patrick Monteiro, pobre, militante feminista negro e filho de mãe solteira.



Adendo por Ana Clara Marques: “Mulher” pobre, militante feminista do movimento hip hop e vista por olhos despreparados como “feminista branca”, Henrique pode ser Marx, Diop, Cleaver, Sartre, Che ou o Mito de Yeshua, se entrar no meu Orkut me xingando não me importa qual era a intenção. Em nome do amor, da família, da humanidade e da religião, foram cometidas as maiores atrocidades contra as mulheres, pouco me importa as intenções, o que determina o caráter de uma pessoa é sua conduta, ou seja, o fato é que você comprovou com seus argumentos que é machista sim. Assim, como você reagiria se alguém entrasse no seu Orkut dizendo as mesmas coisas que você me disse, tendo como parâmetro questões étnicos-raciais?
Ass: Patrick, Élida e Ana Clara – Maçãs Podres.

Adília disse...

O diálogo está interessante, mas eu vou pegar apenas num pormenor bastante esclarecedor em minha opinião:
Paulo, em primeiro lugar e antes de mais, aquilo que você nunca devia fazer(e fez)era falar em nome das activistas negras dizendo o que elas têm de fazer, você afirma: as reinvindicações das activistas negras devem ser completamente diferentes das reivindicações feitas pelas activistas brancas. Isto soa a paternalismo e já está outdated, porque esta conversa também os militantes comunistas de outras eras usaram para denegrir o feminismo que chamavam de movimento burguês Vocè não só fala em nome das mulheres, como mais uma vez usa a estratégia divisonista e sabe, qualquer mulher, branca, negra ou cor de rosa às riscas tenm direito a ter voz, isso de ser representada pelo homem passou à história no decurso do século XX mesmo naqueles paises que só formalmente reconhecem o direito de voto, o que é muito pouco, mas já é alguma coisa.

maças.podres disse...

Adília, muito importante a questão levantada. Infelizmente existe um projeto de manipulação (masculina), até mesmo na luta em que as mulheres devem travar! Precisamos estar atentas!
Só uma colocação em relação ao termo “denegrir”: Nós maçãs podres, compreendemos que a palavra denegrir, vem com um acumulo de funções e ideologias pejorativas e discriminatórias em relação povo preto no mundo, já que é sempre utilizada em aspecto “ruim” ou "negativo", portanto, optamos por eliminá-la de nosso vocabulário. Já que não é nosso intuito reproduzir nenhum tipo de opressão, seja ela simbólica ou não!

Abraços!

Élida R. Pereira

Adília disse...

Elida
Obrigado pelo reparo sobre a etimologia desse termo, de facto a linguagem não só é sexista como também mantem resquícios de racismo de que no dia a dia não nos apercebemos.
abraço, adília

Beto disse...

Há alguns tópicos da Adília (Sexismo e Misoginia) e comentários dela (em meu blog) em que fica constatada a curiosa "unanimidade" nos sistemas capitalistas e socialistas, "de direita" e "de esquerda" que é a segregação das mulheres. Eu acho que parte desse sistema está estruturado no conceito de "propriedade", mas não é suficiente, é preciso ligar o sentido de propriedade com o sentido de dominação e ambos ao sistema que infelizmente ainda vigora no mundo, que é o patriarcado.