22 de abr de 2010

A Prostituição Simbólica¹ e o Falso Poder das Mulheres


AS POWER GIRL'S DO PÓS-FEMINISMO
Todo o latifúndio de “mulheres-bunda” que aparecem nas capas de revistas, como se estivessem livres da opressão dos machos, rende uma falsa idéia de “poder feminino”. Paris Hilton, Beyonce, Lady Gaga, Fergie, “mulheres fruta” e as supermodel’s tém sido apresentadas as adolescentes como símbolo de mulheres pós-feministas, sexualmente seguras e independentes, capazes de consagrar o fim da opressão de gênero. O debate que vamos focalizar é de qual será o real “poder destas mulheres” e suas graves conseqüências sociais?
Segundo Stendhal, “a beleza não é senão a promessa da felicidade”, que no capitalismo significa independência econômica. Por mais que não queiram enxergar, o que é concedido a tais mulheres é o cargo de colaboracionistas do machismo.
O “poder de sedução” que estas fêmeas exercem é pautado por um critério empresarial de beleza, definido através dos desejos masculinos. O que também é o definidor da prostituição consagrada, ou seja, a satisfação das necessidades sexuais dos homens. Contudo falamos aqui de uma prostituição simbólica, ponto crucial na alienação feminina.
Como todo "objeto raro" ou "bem trabalhado", existe nele o poder de despertar para si os olhares que desejam privá-lo de sua “liberdade” através do consumo. A “mulher poderosa” é bem paga para que outras mulheres sejam estigmatizadas e oprimidas em seu lugar. A violência simbólica para qual são remuneradas, atinge as demais mulheres, definindo nossa sexualidade como valor de troca e determinando nossos os comportamentos de prazer sexual como um serviço da submissão ao poder econômico masculino.
Colocadas como objeto no mercado sexual masculino, as “Power Girl’s” não exercem nenhum poder real sobre "os homens reais" (a alta burguesia branca), a não ser o “poder” da mercadoria. Vendem caro o preço de seus corpos e ganham a possibilidade de negociar o tamanho das calcinhas nas "cenas de ficção" nas danças de simulação sexual, mas sua independência econômica será determinada pela quantidade de desejo que podem despertar naqueles homens incapazes pagar pelo seu corpo e pela quantidade de garotas que possam influenciar nos comportamentos. Se estes não podem pagam pelo corpo delas, ao menos pagam pelos produtos que vinculam a imagem destas.

O antigo PREÇO que todas nós pagamos pelo PROGRAMA
Diferente das prostitutas de ofício, sujeitas aos mais baixos consumidores, a “autopreservação exigida das prostitutas simbólicas” é a garantia de que elas estão resguardando-se para um rico consumidor, um daqueles pouquissímos homens capazes de pagar o preço que seu corpo trabalhado representa. Inacessíveis a maioria dos homens da plebe, elas só podem ser consumidas pelos subalternos do sistema capitalista (homens negros e brancos pobres) nas revistas de nudez, programas infantis, novelas, filmes, telejornal e grupos musicais com estética de cabaré induzindo-os ao sonho burguês.
já as mulheres que se aproximam esteticamente das “Power girl's”, reproduzem nas relações de gênero, os comportamentos e valores morais presentes na prostituição simbólica. Na busca de encontrar homens que paguem o valor mercadológico que elas acreditam merecer, esquecem da realidade econômica que estão inseridas. Dada a condição destas mulheres, elas têm um prazo de validade e não podem exercer o papel de objeto intocável por muito tempo. Enquanto isso, os subalternos do sistema terão de consumi-las sem o poder de riqueza dos cavalheiros. É no poder da força, muitas vezes, o único atrativo destes homens, que é exercido o gosto pela violência de possuir estas mulheres. E as que não se aproximam de sua estética tendem a ser massacradas por sua "inadquação" física, atingindo sua auto-imagem e estimulando uma admiração ingênua sobre a importância da beleza, ao ponto de passarem grande parte do tempo de suas vidas consumindo produtos que prometem a ideologia metamorfose de suas caracteristicas físicas.
Neste contexto, a criação das “Power Girls” alimenta a dialética da violência entre os sexos. Pois as mulheres que as tem como modelo, exigirão dos homens comuns um poder econômico que eles não possuem e estes se posicionarão frente as mulheres comuns como proprietários de um objeto intransferível, além de fazer da sexualidade feminina (e humana) um valor mercadológico de troca. Um exemplo das graves consequências sociais deste processo é a execução da jovem Eloá Pimentel,pois em nosso entender ela era tida como o principal "bem material" de seu executor.
O pior é que o mesmo ocorre com as divas da prostituição simbólica, já que quando estas são deslocadas do altar de musas sexuais e colocadas ao lado de homens com as mesmas possibilidades econômicas que elas, acabam por retornar a terrível condição de mulher, desprovida de qualquer super-poder de independência frente aos machos. O exemplo mais recente é o caso da cantora Rhianna que foi espancada pelo cantor e namorado Cris Brown, como se fosse uma simples dona de casa sububana.
A MANUFATURA DAS MENTALIDADES
A conclusão que nós Maçãs Podres chegamos é que o poder concedido as musas do desejo sexual masculino é o cargo de cafetinas simbólicas da imagem das mulheres. Sua contribuição para a manutenção do machismo é a manufatura de mentalidades femininas, pautadas no desejo sexual masculino e na reafirmação da violência sexual e estética de gênero sofrida diariamente pela maioria das mulheres. Os homens da alta burguesia pagam caro pela imagem de seus corpos e estas mulheres vendem barato a imagem a que todas as mulheres estão submetidas por não pertencerem ao hall etiquetado da fama, a imagem simbólica da prostituição.

Ana Clara Marques e Patrick Monteiro
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¹Definimos de "PROSTITUIÇÃO SIMBÓLICA" a venda do corpo da mulher na mídia (música, vídeo clips, filmes, novelas, propagandas, etc) simulando práticas sensuais, sexuais explícitas ou não, ou qualquer modo que expresse mensagens ideológicas com conotações que insinuem a intensão feminina de obter ganhos econômico pela utilização sexual de seu corpo.

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