4 de ago de 2010

Intervenções Feministas - Graffiti Feminista

Nos meses de Junho e Julho de 2010, Nós Maçãs Podres - Grupo de Intervenção Feminista - desenvolvemos duas ações externas: a primeira na Cidade de São Bernardo do Campo e a segunda junto ao ponto de cultura Comunidade Cultural Quilombaque, no Perus - São Paulo.

Junho:
Em São Bernardo do Campo, Ana Clara Marques foi convidada para debater as questões de gênero e pintar no Encontro de Graffiti para Mulheres.
Por estarmos num espaço estritamente masculino e com uma forte resistência para refletir as questões de gênero, levamos um vídeo que abordasse de forma direta o papel violento do homem estabelecendo as origens culturais deste comportamento. Apenas quatro mulheres do Hip Hop estavam presentes, elas relataram as dificuldades das mulheres estarem em espaços públicos e dentro de uma “cultura masculina”. Deram ênfase ao fato da sociedade cobrar-lhes a permanência dentro de casa. Já a participação masculina ressaltou a desigualdade no aspecto racial, identificando as similaridades com o machismo.
videoNo dia do mural preparamos uma intervenção "agressiva" que teve diferentes signos do consciente coletivo na elaboração. Os três Macacos Sábios (KIKAZARU- 'não ouça o mal' , MIZARU-'não veja o mal' , IWAZARU-'não fale o mal'), o símbolo do Feminismo e o Martelo  Comunista estavam entre estes elementos.
As cores fundamentais da composição foram azul e rosa/lilás, por serem as representações mais comuns dos sexos masculino e feminino. Cada uma posicionada com definições de espaços público e privado.
Também foi elaborada por Patrick Monteiro uma poesia ("MIUDEZAS"¹), para compor o muro, com objetivo de desvelar o machismo existente no mito da fragilidade feminina.
Durante a intervenção, as reações foram as mais diversas, desde graffiteiras vindo elogiar a "delicadeza" do trampo, crianças paradas ao redor vendo os desenhos, Secretário de Cultura puxando conversa de projeto, mulheres com cara de que não gostaram do poema e bebado aplaudindo representação das bonecas. No vídeo, Ana Clara Marques comenta o painel.
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Julho:
Como Fernanda Sunega havia sido convidada a participar do Tribuna Hip Hop, ação desenvolvida pela Comunidade Cultural Quilombaque, decidimos fazer um interveção surpresa no espaço. 
"Fernanda contou um pouco da sua experiência (...) em um projeto que realizou em parceria com escolas, unindo graffiti e literatura, a partir do estudo de obras de autores brasileiros. Destacou também a importância de conscientizar o público com ideias e palavras nos graffitis, além de ressaltar que o graffiti enquadrado em galerias de arte não tem o mesmo impacto que o exposto nas ruas da cidade."
Ao final da apresentação, expandimos o tema em questão para um  debate sobre a construção da masculinidade do homem negro e seus reflexos dentro do Hip Hop. Falamos de como as relações raciais e econômicas são produtoras do imaginário coletivo de mulheres (negras e brancas) e quais comportamentos e consequencias nascem de tais relações sociais. Para nossa feliz surpresa, tanto as mulheres quanto os homens que estavam presentes no espaço mostraram-se sensíveis a conversar sobre gênero e economia patriarcal.
Eis que esta foi também uma ótima experiência pra nós.

Vídeo e Texto: Ana Clara Marques e Patrick Monteiro
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¹-As miudezas nos tornam delicadas. (LIMITADAS)
Somos bijuterias que imitam jóias raras,(ESCRAVAS)
Rainhas de um reino de miniaturas.(SENZALAS )
É pq vivemos presas em casinhas de boneca (CONTO DE FADAS )
Que o mundo dos homens nos assusta, por isso...
Destruam com BOSTA destas estruturas!
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Foto do Poema: Nina Vieira
Fotos e texto do Quilombaque: Sílvio Luz

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