25 de jan de 2011

DADOS ATUALIZADOS DE ESTUPRO e a VIOLÊNCIA POLÍTICA como arma antifeminista

Dois dados recentes comprovam ha quantas anda o antifeminismo no Brasil. Ambos apontam o quanto as mulheres se encontram em condições vulneráveis no que se refere a duas questões cruciais para o feminismo:  os direitos sexuais/reprodutivos e a violência sexual.
Abaixo, disponibilizamos um gráfico da pesquisa do Datafolha (10/10) que comprova o retrocesso de aceitação popular, a níveis anteriores a 1993, referente um dos temas dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e, depois, os dados do relatório divulgado (01/11) pela Divisão Especializada em Atendimento à Mulher de Belém do Pará, com  a média alarmante de 1 estupro por dia.
 VIOLÊNCIA POLÍTICA
Assim que assumiu a cadeira da presidência, Dilma Rousseff retirou do gabinete presidencial a Bíblia e o crucifixo.
Esta seria uma excelente demonstração de finalmente se estabelecer um “Estado Laico” no Brasil, se o apoio à proibição do aborto não tivesse retroagido ao patamar mais alto desde 1993.
Segundo uma pesquisa realizada dia 08/10/10 pelo Datafolha, que realiza uma série histórica de perguntas sobre o tema, “em todo o país, 71% dos entrevistados afirmam que a legislação sobre o aborto deve ficar como está, contra 11% que defendem a ampliação das hipóteses em que a prática é permitida e 7% que apoiam a descriminalização”.
Ao que parece, além da crescente e constante onda de exaltação da maternidade (novelas como "Viver a vida" e nas capas de revistas), a rejeição recorde se deve a violência política ocorrida na campanha “eleitoral”. Os "conservadores" que vincularam religiosamente a imagem de Dilma ao tema da descriminalização da interrupção da gravidez, atingiram seu real objetivo: mobilizaram as massas contra uma revindicação feminista e posaram de mocinhos, já que na época, após o quiproquó e o desmentido dos famosos e-mails, anunciaram seu apoio a candidata que chegaria ao poder.

Violência Política de Classe e o Poder da Mídia
Os dados do levantamento acima mostram o aumento anual
no índice de rejeição popular frete a questão que inclui
a interrupção da gravidez como uma questão de saúde pública.
Clique na imagem para ampliar. Fonte: Folha.com 
  Desde que se iniciou em 1993, a série de pesquisas tem indicado uma tendência ao conservadorismo e a manutenção da atual legislação. O pior é que, "contraditoriamente", segundo o Datafolha, entre os que têm ensino superior e os mais ricos a proibição tem menos apoiadores (63% e 56%, respectivamente), mas, em todas as faixas da população, o apoio gira em torno de 70%.
Estas são exatamente as pessoas que menos se encontram ligadas aos índices de morte por interrupção da gravidez e que mais tem acesso as clinicas clandestinas. Como tradicionalmente diplomados e alta burguesia se encontram acima das leis gerais do Estado, no fundo, pouco importa para esta camada da população se a descriminalização irá ou não ocorrer já que, de um modo ou de outro, este direito lhes é garantido pelo poder do capital.
Mantendo-se esta perspectiva, o Estado brasileiro passará ao largo de introduzir uma política pública laica que garanta os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres. Só teremos "direito" ao controle de nosso corpo, na medida da lei e com responsabilidade pública, quando sobre ele for impetradas violações como os casos de estupro. O que para as esferas parlamentares (e lobistas de empreiterios) significa que nenhum encargo público precisará ser previsto ou gasto nesta questão, assim podendo sobrar verba para a construção de "importantes obras", como estádios de futebol para a Copa de 2014, (enquanto desabam as casas populares).

DADOS ATULIZADOS DE ESTUPRO
Dados oficiais da Polícia Civil de Belém constatam que diariamente, uma mulher é estuprada na região metropolitana da capital paraense. Entre 2005 e 2010, ocorreram em média 0,93 estupros a cada 24 horas. Só no ano passado foram registrados 328 crimes desta proporção. O pior é que nos últimos cinco anos, houve um crescimento de 73,54% nas ocorrências (de 189 para 328 por ano).
A maioria das vítimas possui idade entre 20 e 30 anos, pelo que foi apurado no levantamento, ou seja, biologicamente se encontram no auge de sua “idade fértil”, entretanto, menores de 14 anos também estão entre as vítimas. Outras características são que jovens com necessidades mentais especiais e enfermidades, que não possuem “discernimento necessário para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não podem oferecer resistência também são alvos comuns dos criminosos.”
Também segundo a delegada e diretora da Divisão Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), Alessandra Jorge: O número deve ser bem maior, pois casos de estupros provenientes de um assalto não são notificadas, "(...) são poucas as mulheres que conseguem vencer a vergonha ou medo do preconceito e denunciar. Ainda hoje, apesar do aumento no número de denúncias sobre este crime, a maioria das vítimas relata o assalto, mas omite o estupro", afirma a delegada.
A delegada Alessandra Jorge alerta que há casos em que as mulheres “mentem” sobre o estupro com o intuito de realizar o aborto legalmente. E continua: “algumas mulheres que registram apenas o assalto, acabam retornando à delegacia para retificar a denúncia quando descobrem que estão grávidas e precisarão da autorização para interromper a gravidez”. Porém, segundo a representante “especializada” no atendimento as mulheres “quem é pego nesta mentira está passivo a punição que inclui reclusão em uma casa penal.”
Todavia, nós Maçãs Podres...
ponderamos que se muitos dos crimes sexuais ocorrem por violência doméstica (dentro da própria casa da vítima e tendo o agressor como parente próximo, marido, namorado, etc) e normalmente não são denunciados, será que haveria indicativos que apontassem os motivos de tal “mentira” ocorrer? Poderiam tais alegações ("mentiras") serem a dissimulação de “uma segunda” violência sexual sofrida pela vitima? Só que agora ocasionada por seu companheiro que, entre outros fatos, não transa com uso de camisinha? Será que a vergonha, o "amor romântico" e ameaças de alguns companheiros não teriam alguma influência e relevância uso necessário desta "mentira"?
Para as autoridades (pesquisas da mídia e estatísticas) pouco importa as respostas para as questões acima, desde que o útero pobre venha a produzir filhos como se fosse uma fábrica de bonecos, em nome de Deus.
Menos interromper a gravidez, tudo vale.
Enquanto a alta elite puder posar de liberal em pesquisas e nas higiênicas clínicas clandestinas de aborto; enquanto as redes empresariais de leite, fraldas e mamadeiras puderem vender e lucrar tanto ou mais quanto lucram e vendem as indústrias de chicletes com as crianças de rua, nos faróis das grandes cidades; enquanto as empresas de publicidade puderem alimentar seus cofres detonando em nossas mentes anúncios pró-vida e comerciais que estimulam o consumismo nos bebes; e os jornais ainda puderem noticiar as violentas consequências do machismo como se fossem "causas individuais", quem irá se importar com os motivos que levam ao estupro de jovens em idade fértil? Ou com os motivos que levam as “mentiras femininas” para a manutenção do exercício de sua saúde física e mental?
Até por que, seja nas instituições democráticas, religiosas ou legais, na sociedade dos espetáculos é a mentira que comanda a realidade de nossas vidas,  e não seria diferente com as mulheres. Seria?

Viva o Movimento Feminista!
Texto: Ana Clara Marques e  Patrick Monteiro

Um comentário:

May disse...

Parabéns por contribuirem com o acesso a informação! Muitas questões antifeministas ocorrem por ignorância, ja que as mentes estão cristalizadas e domidadas pelo sistema, nosso dever é conscientizar sempre, só assim consiguiremos cada vez mais pessoas ativas, e assim um mundo mais justo e igualitário.
E para nossa dignissima hipócrita presidente as devidas prestações de conta, já que era facil nos apoioar e mais facil ainda se contradizer para consquistar mais votos!
Continuaremos lutando pelos nossos direitos, o apoio não vem do "alto", mas aqui de baixo faramos nossa revolução!
Beijo!