11 de ago de 2013

Paternidade: o que se tem de patriarcal e o que se tem de feminista no dia dos pais.



Socialmente, a principio, dizemos que tal data não tem nada de feminista. Quer dizer, teoricamente seria um símbolo da atual forma de família, e família em seu sentido mais judaico-cristão (o que é sinônimo de não-feminismo).
Pensamos, por outro lado, que se toda cultura é resultado de uma história, logo, cada região tem sua própria história em miniatura, como parte de uma história macro, logo, a história se apresenta como uma construção social (e material).
Temos, então, diferentes construções culturais. A paternidade, consequentemente, é resultado de construções culturais também diferentes. Portanto, a paternidade, no momento, pode ser símbolo de “patriarcado” (ou, se preferirem: de dominação masculina) em alguns lugares; isto não impede, todavia, que a paternidade também seja transformada e receba uma ética feminista.
Quando falamos em transformação e ética feminista, não estamos falando de “ética” em um sentido convencional, estamos falando de práticas cotidianas norteadas por algum senso em comum com determinadas formas de pensar. Neste sentido, nossa ética feminista seria a busca por uma equidade de gêneros possível somente com a reconstrução de determinados aspectos culturais (aqui, a paternidade em seu sentido patriarcal).
A construção cultural pode ser realizada por todos que buscam mudar, transformar a sociedade em um lugar melhor para se viver. De certa forma, todos que passam pela “existência” deixam alguma contribuição, seja moral ou material. Mas, nem sempre de forma positiva. Portanto, nós pretendemos contribuir positivamente para transvalorizar a paternidade, tornando-a numa forma humana e igualitária, sem violência, de construção social.
Não estamos sozinhos, mesmo que pareça, todos nós, a partir do momento em que decidimos fazer algo diferente, estamos contribuindo de alguma forma para que as próximas gerações possam viver de forma mais justa do que a história nos proporcionou até agora.

Seja pai, mas ao seu jeito. Não seja um “chefe”, mas um pai feminista.



por Gabriel Brito
(pai feminista de três meninas) 

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