13 de jan de 2009

O COMPLEXO DE CINDERELA – Por Maçãs Podres.

“O desejo inconsciente dos cuidados de outrem – é a força motriz que ainda mantém as mulheres agrilhoadas. Denominei-a “Complexo de Cinderela”, uma rede de atitudes e temores profundamente reprimidos que retém as mulheres numa espécie de penumbra e impede-as de utilizarem plenamente seus intelectos e criatividade. Como Cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha transformar suas vidas.” (Collete Dowling)
Como foi observado por Simone de Beauvoir existem mulheres que se posicionam como submissas para “evitar a tensão envolvida na construção de uma existência autêntica.” Permanecer nessa posição de submissão sendo boa companheira, boa mãe e dona de casa (de preferência sustentada), traz uma tranqüilidade que a LUTA POR SI MESMA não traria.
O Complexo de Cinderela é um fenômeno psicossocial que faz as mulheres se sentirem frágeis e dependentes, necessitando de uma presença masculina em suas vidas. O  medo de enfrentar o mundo sozinha gera uma tensão emocional e uma ansiedade asfixiante de ser aceita, estes sentimentos envolvem as mulheres, fazendo-as recuar da luta. É evidente que é muito mais fácil recuar do que encarar um problema que foi enfiado em nossa goela. E hoje se encontra enraizado dentro de nós mulheres por comodidade. A princípio o que foi imposição de ser protegida por um homem e dependente dele em todos os âmbitos, tornou-se um comportamento natural e “cômodo” (não precisamos pensar, não precisamos nos responsabilizar por nós mesmas e nem lutar, pois aparentemente tudo está bem).
Estar “tudo bem” não gera tensão...
Gerar tensão indica que há um conflito entre as necessidades internas e as imposições externas, essa comodidade é que vai frear a tensão e a ansiedade. Afinal, quando nos confrontamos com o externo nos tornamos “doentes psíquicos”, uma “anomalia” para a sociedade. Como qualquer doença os sintomas se manifestam e os medicamentos veem para “curar” a tal “anomalia”. Se os sintomas permanecerem, inicia-se a repressão. Esta repressão se traduz em falsa preocupação, pois o que a sociedade, a família, os amigos, a religião, o Estado e a medicina dizem ser “preocupação com a nossa felicidade e bem-estar físico”, na verdade é traçar o nosso destino baseado no padrão moral da antiga família, com intenções econômicas de sustentação do sistema vigente.
A imposição do papel social feminino é de se tornarem mães, esposas, donas de casa, sonhando com a proteção de uma falsa liberdade e, intrínseco neste projeto, o amor cumpre um papel de aprisionar as mulheres. Eis as flores que cobrem a camisa de força!
Como diz Reich: “As catástrofes dos tempos mostraram-nos que o povo ensinado a ser cegamente fiel em qualquer sistema se privará da sua própria liberdade; matará o que lhe dá liberdade, e fugirá com o ditador”.
E qual a prescrição médica para tal doença?
Não se iludam mulheres, a única prescrição que temos está em nós mesmas. Somos as únicas médicas capazes de diagnosticar e sanar essa doença. Este é o único caso útil de auto-medicação. Ou então se delicie vivendo dentro de um hospital onde a camisa de força é coberta por flores, pois é muito mais fácil vender a nossa independência do que ser senhora de si mesma.
Como Maçãs Podres, nosso objetivo é eliminar o impulso (força motriz) que alimenta o Complexo de Cinderela e nos coloca numa completa dependência do outro. Nós estamos dispostas a quebrar os grilhões e dissipar a cegueira. As experiências emocionais que nos esperam são poderosas, mas para aquelas que realmente abandonam os ‘scripts’ sociais, em troca, recebem a verdadeira liberdade. Inicialmente a luta contra o Complexo de Cinderela é conseqüentemente a luta contra nós mesmas!

Texto: Élida R. Pereira.
Colaboração: Ana Clara, Kathiara e Patrick Monteiro.

8 comentários:

Camilla para os menos íntimos... disse...

Mesmo não estando participando do grupo, acabei de ler o livro essa semana e deveras fiquei mal, mas durante minhas reflexões percebo o quanto ainda preciso sobressair a essa cultura machista que nos condena e que nós mesmas muitas vezes nos condenamos...
meninas e menino, parabéns pelo blog!
beijos nos corações!

D.C disse...

Amore, infelizmente não pude estar na "confecção" do texto, mas ficou muito bom mesmo!!!! Gostei muito da citação do Reich!
Beijos
Energias vibrantes
ui
kkkkkkk

DEUSA PAGÃ disse...

oiii!!! faz visitinha...
tem post novo...
bjos,!!!!

ILHA DE LESBOS disse...

Essa maçã é fascinante.....
Aguardo a visita de vcs...
já as adicionei.

samia.cardoso disse...

Olá, gostaria de saber qual o nome dos vídeos.
Abraço.

nivabrum disse...

A-D-O-R-E-I este post. Mais uma reflexão...será que o que chamo de sensibilidade, romantismo....é meu "complexo de cinderela?"....Parabéns pelo blog, muito interessante e inovador. bjocas!

Madressilva disse...

muito bom...conseguiram entrar lá na "fábrica" rss xD! agora sabemos como é fabricado o bem de consumo mais rentável do planeta!
Ironias á parte,muito bom o vídeo,direto e exclarecedor,principalmente quando compara o que a mulher aprende e o que o homem aprende.O que me revolta é a atitude feminina que insiste em ficar nesta de ser objeto sexual.Se acolaboração delas com o machismo é tão intensa e "voluntária",fica difícil conseguir progressos...mas temos que ir em frente mesmo assim,né?
abrçs.

Ana Nazaré disse...

Mas se libertar do complexo de Cinderela não seria se tornar uma pessoa capitalista, amante da competição e do poder? Aguardo respostas, por favor. Obrigada