21 de mar de 2011

Machismo, Femismo ou Feminismo - a campanha "Associação das Mulheres Evoluidas"

Na semana recebemos o seguinte comentário no texto “O mito do Femismo”:
Como já sabem as antigas leitoras Maçãs Podres, há algum tempo nós não publicamos mais comentários anônimos e nem de qualquer leitora/o que não possa ser minimamente identificável. Este foi o caso do comentário do “Danilo Oliveira”, que mesmo não sendo "anônimo", tem seu perfil restrito, não podendo ser acessado abertamente por qualquer usuário da net.
Após uma pesquisa dentro da plataforma Blogspot, descobrimos um homônimo que frequentemente escreve num dos mais misóginos, sexistas e machista blogs do Brasil. Basta a maçã podre, que quiser, pesquisar no Google: Danilo Oliveira Alita blogspot e facilmente encontrará o site e os comentários do homônimo a que nos referimos.Mas, se ele é ou não o mesmo leitor não nos interessa, pois não pretendemos cometer injustiças ou alimentar reacionarismos machistas ou de antifeministas.
Entretanto, no decorrer da semana, o texto comentado voltou a entrar entre os 10 mais lidos, o que pode representar um reflexo dos mesmos motivos que levaram o Danilo a argumentar sobre a existência do “femismo”.
Por esta segunda razão, decidimos publicar este “post resposta”, aprofundando  a retórica levantada por ele e oferecendo dados que confirmem a tese de que o femismo é uma falsificação reacionária, criada por machistas, em contra ofensiva aos ideais e avanços do movimento de mulheres.

O combate ao FEMISMO/MACHISMO na Publicidade
Propaganda Racista e Machista de Cervejaria
No final do ano passado, mais uma vez, uma famosa cervejaria fez outra “polêmica” campanha, muito criticada por suas conotações racistas e machistas (como vocês poderão ver na foto ao lado), todavia, é certo afirmar que é muito mais comum ao movimento feminista criticar, com toda a razão, campanhas publicitárias abertamente machistas, do que levantar polêmica sobre campanhas “inteligentemente bem humoradas”, como pode/ria ser o caso da “Mulheres Evoluídas” da Bombril.
Não vamos detalhar a mensagem aberta da campanha, qualquer pessoa pode observar que não há nela nenhum avanço no que se refere a transformação dos papeis sociais masculinos ou femininos, porém vamos ressaltar os fatos dos bastidores que comprovam que o femismo é uma plataforma publicitária do machismo:
1) - A campanha publicitária em questão foi criada pela agência DPZ de propriedade de Roberto Duailibi, Francêsc Petit e José Zaragoza;
2)- sob encomenda das indústrias Bombril, presididas por Ronaldo Sampaio Ferreira, seu ex-dono;
3)- que atualmente estão sobre o controle do Grupo Cirio, do empresário italiano Sergio Cragnotti;
4)- e a responsável pela estratégia online de marketing é da associação de comunicação Repense, presidida por Otavio Dias. 
Foto oficial  do verdadeiro rosto do "Grupo BomBril"
Extraida do Site: http://www.bombril.com/empresa/

5)-Ou seja, a campanha “AME” foi diretamente (e indiretamente) encomendada, pensada e divulgada por homens, pois estas empresas estão sob o controle masculino. E apesar de ser personificada por três mulheres (Dani Calabresa, Marisa Orth e Monica Iozzi), todas elas são representantes de grandes meios de comunicação de massa gerenciados por homens (Organizações Globo, presidida por Roberto Irineu Marinho; Grupo Bandeirantes de Comunicação, presidida por João Carlos Saad; e MTV "matriz", presidida por Van Toffler), deste modo, enquanto assalariadas, elas só podem ser descritas como “portavozes do poder masculino”. 
Outra especificidade é o fato de que as “apresentadoras” são comediantes e não pessoas “sérias”. Não que isso seja de muita importância para nós feministas, mas a decisão de utilizar estas personalidades públicas demonstra que esta campanha tem como objetivo direto fazer piada, ao invés de propor uma reeducação de gênero e, sua consequência, acaba por reduzir os ideias e a luta feminista a um patamar de senso comum existente sobre o machismo, ou seja, faz da seriedade das questões de gênero uma piada igual ao machismo que comumente se expressa em botecos e ambientes de trabalho.
Cartaz da Ditadura Militar
E, por tal lógica, a campanha citada é um oportunismo momentâneo que não deverá se extender, como diretriz de marketing do Grupo em questão, por muito tempo, a não ser que o resultado seja gigantesco ou só se for muito, mas muito conveniente mesmo para as mega empresas envolvidas. Isso, por si, só reforça o que afirmamos no texto do “femismo”, as categorias de pensamento que definem mulheres, e são amplamente divulgadas na mídia, são criações sexistas consientemente planejadas que, quando não nos coisifiacam as mulheres, visam manter sólidas as paredes sociais que nos separam ou servem para abafar/desmoralizar as reais intenções e conquistas do feminismo.
O "FEMISMO" então não é um machismo ao contrário, mas o próprio machismo com outro nome, ou melhor, é uma arma sexista que tem por princípio básico de sua construção, usar nas estratégias publicitárias, a tática de guerra da demonização ideológica do adversário, visando confundir a opinião pública, sedimentar sensos comuns opressores e justificar a opressão, algo similar ao que faziam os generais militares ao denominares de "terroristas subversivos" as militâncias contrarias a ditadura de 1964 ou o Império Romano ao denominar os demais povos de "bárbaros".
Um bom exemplo de que este combate já acontece por feministas é ótima a matéria "Propagandas Sexistas", do blog Revolução Feminista que denúncia campanhas da Kookai ( uma marca de roupas francesa fundada em 1983 por Jean-Lou Tepper, Jacques Nataf e Philippe de Hesdin) e, deste modo, também preserva a integridade moral de alguns machos da espécie humana.
O que nos leva a conclusão óbvia e consensual de que o "Femismo realmente deve ser combatido", pois este neologismo é uma fração ideológica do machismo.
Homens enquanto oprimidos por outros homens
Fonte: Blog Revolução Feminista
Enquanto os homens oprimidos (por outros homens) se revoltam e voltam-se em combate contra o feminismo, por acreditarem erroneamente que nossa luta e ideais são a mesma coisa que "femismo", avisamos aos desavisados que, como marionetes, eles estão a defenderem mesmo o machismo/sexismo/misoginia que os manipula, explora e os coloca na condição solitária de feitores das companheiras, mães, filhas e amigas, para que os megaburgueses brancos possam rir e desfrutarem do champanhe e gozo comprado com o suor dos operários machos, ou seja, eles lutam contra si mesmos e em favor das condições que os coloca em posição de submissão frente a outros homens.
Assim, é bom que homens saibam que os verdadeiros beneficiados com o patriarcado são os machistas que também exercitam seu machismo/masculinidade sobre outros homens (que possuem menos privilégios sociais - negros, homossexuais, podres, etc), e como reles lacaios, tais submissos, muitas vezes, lambem as botas dos grandes machistas do capital, não como donas de casa dependentes de seus maridos, mas como servos obedientes as dimensões do falo seus senhores.
No patriarcado do capital, não basta ser apenas homem, tem que ter muito poder econômico, ou então vocês machos serão apenas capachos de outros machos.
Viva o Movimento Feminista.
Texto: Ana Clara Marques e Patrick Monteiro

7 comentários:

yumehayashi disse...

Olha,não estou defendendo femimismo(até o considero palhaçada) mas eu acho estranho a sociedade condenar manifestação de ódio feminino pelo homem.O patriarcado pode expressar seu ódio por nós livremente e sem precisar de justificativas: somos prostituídas,traficadas,estupradas e mortas e ninguém se revolta( tirando as feministas) a ponto de achar ser uma manifestação de ódio pelas mulheres.tais barbáries são até encorajdas pela mídia,seja de form adireta ou indireta:são sempre "fatalidades","coisas da vida","crimes de loucos","liberdade de expressão","democracia" e por aí vai...olhem este exemplo aqui:

http://www.oneangrygirl.net/human.html

Mas quando alguma propaganda ou filme,ou seja lá o que for mostra violência feminina( digamos,revolta) é condenável.E sempre vejo feminista tendo que justificar que o movimento não é de ódio aos homens...será que o GLS tem que ficar se justificando como um movimento que não odeia heterossexuais? E o movimento negro, que não odeia os brancos? Porque o feminismo sempre tem que se preocupar com o que os homens sentem ou como são afetados com isso e aquilo sendo que nos demais isso não existe? Ou alguém aqui já viu o movimento negro fazendo campanha para direitos de brancos e o GLS para os heterosexuais? Eu li isso num arquivo da UK feminista sobre este assunto.O feminismo é o único movimento que as pessoas cobram justificativas e do qual se espera que façam campanhas para o grupo que oprime a minoria defendida.Quantas vezes escutamos "mas o homem sofre também" quando expomos as violências de gênero?

Então,falem para este tal de Danilo de Oliveira"que se ele está encomodado com a propaganda,que ele organize amigos e se manifestem ao invés de ficar cobrando atitude por parte das feministas.Caras assim tenho certeza que acham o máximo as propagandas da Devassa e afins,acha o máximo existir uma Playboy...disso eles não reclamam,ninguém reclama,só feministas.Mas quando é o homem o objeto,vira "polêmica" e feministas são "convocadas" para explicar isso ou aquilo..ora porra >.<!!!

Arttemia disse...

Infelizmente a má vontade desses homens que pregam o femismo e a sua existência enquanto movimento de mulheres, quando sabemos que femismo não existe, pois como voces mesmo detectaram ""FEMISMO" então não é um machismo ao contrário, mas o próprio machismo com outro nome", não se dão ao trabalho de ler blogs de feministas e sobre feminismo onde essa propaganda foi criticada e apontada a sua real intenção.

O backlash se alimenta disso: demoniza as mulheres e amedronta os homens e deixa intacto a verdadeira causa e interesse em se manter a desconfiança entre os sexos: perpetuar o dominio dos patriarcas capitalistas.

Enquanto os homens enxergam o feminismo como o inimigo, deixam de ver que a sociedade se constroi na subordinação deles e das mulheres a esses poucos homens ricos e poderosos que dominam o mundo. E nós mulheres somos mais uma vez usadas para ocultar a realidade e sempre para nossa desvantagem, pois ou somos as megeras que querem destruir os homens ou temos que ser os objetos que servindo aos homens comuns, os deixam tranquilos em sua ilusão de poder.

Maçãs Podres disse...

Isolda, a sociedade que é capitalista/machista sempre vai condenar o que convém, ou melhor, sempre vai incentivar o que lhe convém, como por exemplo, este comercial e vários personagens cômicos usam esta tematica de "ódio feminino", como um meio de esvaziar o debate da desigualdade entre mulheres e homens. Se vc perguntar pra qualquer pessoa, por mais alienada que ela esteja, ela vai dizer que é contra todas as barbáries. Nunca escutei o Datena dizer que é a favor do estupro ou que a mulher tenha que apanhar, e mesmo assim ele não deixa de ser um grande capitalista machista.

O movimento negro tem que se explicar a todo o momento que não é racista, o movimento LGBTT tem que explicar a todo o momento que não é contra a heterossexualidade e o movimento de feminista tem que dizer que não é contra os homens. E não somos mesmo contra os homens! Mas não é a toa que a sociedade ache isso dos movimentos, pq a todo momento a mídia mostra os movimentos assim. Para que? A serviço de quem? A quem isso favorece?

Se o feminismo defende esta prática ("revolta feminina ou ódio feminino"), então estamos caindo no jogo deles. Esvaziando o debate e caindo na "guerrinha dos sexos". Assim nossa luta fica novamente estigmatizada por uma "revolta sem causa", e nós sabemos que não é. Esta tática é utilizada há tempos.

É só analisar o discurso, a estrutura do comercial e decodificar os códigos. Porque Marisa Orth coloca óculos e palitozinho pra falar do Bombril?

Formar homens organizados para manifestarem sua defesa? Os homens machistas já fazem. O comercial da Bombril é uma destas formas organizadas de manter o machismo. Devassa e Bombril tem os mesmos princípios: vender, criar necessidades e manter tudo como esta. E nós queremos o que?

Portanto o movimento feminista tem que se posicionar desfavorável a este tipo de prática. Não é se explicar. É se posicionar. Até porque eles querem vender produtos de limpeza e nós queremos o que?

Nikk disse...

Cara...Adorei esse blog

É difícil achar pessoas que entendam perfeitamente esse negócio do feminismo (propriamente dito), do machismo, e do femismo, que são a mesma merda e podem ser resumidos a simplesmente sexismo...

Então...Já estou seguindo o blog, parabéns... Continuem na luta. Não desanimem se vier algum idiota e disser que "o mundo sempre foi assim e não vai ser você que vai mudar". A gente pode mudar o que a gente quiser, se a gente quiser. Só precisa ter paciência. Porque o machismo é algo enraizado nos homens, nas mulheres, e isso passa pras crianças...que passarão pros seus filhos e etc. Por isso tem de ser extinguido (e vai levar tempo) Isso nós já sabemos. Mas o que importa é que já estamos mudando, no que é possível e no que é impossível!

Se interessar, podemos até fazer algumas parcerias entre os blogs.

Um abraço!


Nikk Lopes, Revolução Feminista .blogspot.com

Maçãs Podres disse...

Nikk
Demorô para firmarmos esta parceria. Insistimos nessa idéia, pois a internet é um dos locais de formar opinião, se não for o maior local. Juntando forças, postando textos e intervenções de forma coletiva e simultânea ganharíamos mais peso e força. Pode contar conosco para esta movimentação!
Seu blog já faz parte de nossa bibliografia e referencias!
Parabéns e vamos persistir!
Viva o Feminismo!

Admin disse...

Que vocês mulheres, que diferente de outras, exercem o ser mulher verdadeiro, o não submisso e sim o
independente, vamos lá continuemos
a defender esse movimento chamado de
feminismo, eu sou homem, mas no que
precisarem de mim podem contar, eu almejo uma sociedade igualitária entre os sexos,aquelas mulheres que
fizeram a propaganda da bombril deveriam ter se negado, mas a minha
duvida é a seguinte já que você elimina o termo femismo, como denominar mulheres que preferem ser
superiores, acham que o sexo
masculino é inferior, como nomear esse comportamento?
celo_acordi@hotmail.com

Queiram ou não,existem mulheres
que acham o sexo masculino inferior.
então qual seria o termo apropriado para esssas.
Espero contato

Maçãs Podres disse...

Admin
Para se entender as questões de gênero é preciso que se compreendam os vários outros fenômenos transversais da desigualdade, que se cruzam e constituem os comportamentos que poderão nos dar as explicações para qualquer fato.
Nós não conhecemos adolescentes e meninas que se considerem superiores aos homens, na verdade, nossa experiência mostra o contrário. Todavia, algumas devem existir. O que nos importaria para nós não seria “denominá-las”, mas compreender as razões de um comportamento assim.
Normalmente, atitudes similares a esta podem nascer da compreensível revolta (reação violenta a alguma violência sofrida) contra o gênero masculino, da total rejeição a ideologia da inferioridade feminina (não atrelada a um conhecimento aprofundado dos ideais do feminismo)e ainda tem consigo a soma de outros fatores (algum nível de racismo ou elitismo cultural e econômico).
Só lembramos que uma análise individual, não é o mesmo que uma análise coletiva. Assim como existem homens feministas, como vc diz ser, esta é uma exceção a regra geral, pois o fato é que, em quanto gênero no poder, é muito mais constante encontrarmos homens machistas do que garotas que pregam abertamente a “superioridade feminina”.
Saudações, GRIF Maçãs Podres.