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29 de dez. de 2010

Profundamente Colérica

(Poema cedido por May para o blog Maçãs Podres, para conhcer mais: Blog Profundamente Colérica)

Composta por urgências, ardências, canções. Flor de aço. Asas e raízes.
A paz e a guerra, e a cima de tudo a luta. Honra seus próprios seios, suas pernas, sua voz.
Líquida e concreta no que se pode dizer, grita se precisar gritar, e cospe.
Ser mulher não é ser buracos.
Ser MULHER não é ser buracos!
Que virem pó as que se escondem debaixo da cama.

17 de dez. de 2010

O homem ou a humanidade

O homem não criou as pedras,
Mas, com as pedras, construiu as prisões

O homem não criou o metal,
Mas, com o metal, construiu os cintos de castidade,
As correntes, as armas e as munições

O homem não criou os átomos,
Mas lançou a bomba atômica

Não criou a morte,
Mas quantas mulheres são assassinadas por ano?

7 de mar. de 2010

Por um 8 de Março contra o Femicídio




LUTO...
Contra os + de 3.600 casos de estupro por hora no mundo
Por todas mulheres mortas este ano em Pernambuco....
Contra o eterno roubo imposto ao nosso útero...
LUTO!

LUTO...
Para que jamais sejam esquecidos os insultos
Para que os sonhos feministas não sejam nulos...
Por cada segundo que deixe os homens menos imundos...
LUTO!

LUTO...
Contra a violência estética e este Estado absurdo
Para que todas as mulheres não tornem-se mais números
Contra todos os abusos e por tudo que amo de + humano em tudo...
LUTO!
Poema: Patrick Monteiro
Vídeo: Ana Clara Marques e Patrick Monteiro

7 de jul. de 2009

"MASCULINO"


Ainda me encontro acordada cantando
Pau no reto de todos aqueles que desprezo
Só falo do falo, por ser o machismo
O pior de todos os inimigos que conheço
Não desejo-lhes nada prazeroso
Nenhuma porra ou possibilidade de gozo
É puro desrespeito ao heteropreconceito

Ainda me encontro acordada cantando
Ainda me encontro acordada cantando

No íntimo, sinto um prazer promíscuo
Que resvala na tara da desconfiança,
Se homem fosse, teria uma ereção generalizada
Que se esconderia por trás de suas máscaras.
Não creio em deus ou no diabo, sou um “sátiro”.
E ainda me encontro acordada cantando
E ainda me encontro acordada cantando

Não conhecem a agonia e o asco que sinto
Não sinto piedade dos senhores machistas.
Observam-me como a compaixão dos tolos,
Com a tolerância de quem troca olhares com um cachorro
Se eu latir,e não morder, é porque...
Ainda me encontro acordado cantando
Ainda me encontro acordada cantando

Agora fumarei um cigarro para saciar a leitura poética
Vejo em suas ofertas, todo o meu desprezo,
Causando-me ânsia e muito nojo
Não sei bem o motivo,
Quando não puder mais cantar em tua companhia
Vou preferir a refinada presença de um livro.

Mas ainda me encontro acordada cantando
Com um Pablo Neruda no bolso
No peito, o aperto de um impulso homicida
De um abraço apertado
Nos lábios humanos de macho, o orgasmo
De quem, para seu desgosto,
Põem na boca dos outros
A língua... E não palavras!
Pois ainda me encontro acordado cantando...


Poema: Patrick Monteiro
A muito tento expressar num poema, meu desprezo pelo machismo e a possibilidade de atacar o heteronormativo. Quebrar o preconceito dentro de mim mesmo, deu-me a possibilidade, ainda como poeta, de experimentar as palavras sem medo. Para mim, é o fim de mais um preconceito.

30 de jun. de 2009

HABEAS CORPUS

Santa...
É aquela que aceita
Outro cristo negro
Outro filho seu
Ser assassinado?
Ninguém

Pode ser morto
Se ainda (Ha) feto,
For abortado
Mas Bíblia reprime
E El Padre proíbe
Que o aborto das virgens
Venha tirar os pecados do mundo
O pênis da Igreja
Criou o hímen.
E os homens
Disseram amém...
Então tornou-se crime
Do útero,
Expelir o sêmen
Ave Maria,
Quanta desgraça...
Se gozasses conosco
Bendito seria o fruto
De vosso ventre na cruz?



Provocação po-ética: Patrick Monteiro

11 de abr. de 2009

IMPÉRIO DOS SENTIDOS


Pelo toque da língua na pele dos lábios
Pelo cheiro do gozo e bom gosto do tato
Pela doce saliva na hora do orgasmo
Pelo semem do pênis na boca de todos os machos

o machismo deve ser castrado

Pelo fim das Igrejas e seus cadeados
E que todos os bispos sejam excomungados
Com um beijo azedo, nu-peito-amargo
o machismo deve ser castrado

Sem que deixe nos olhos um gosto salgado
Em nome do pai, do filho e do proprietário
Pelo cavalheirismo dos que nos enganaram
o machismo deve ser castrado
Se de tão indecentes são tão "delicados"
o machismo deve ser castrado

Pela vontade dos homens em realizá-lo
o machismo deve ser castrado
Pelos himens que os homens já estupraram
Pela porra expelida de dentro do falo
Pelo íntimo e interno-afeto do escarro
o machismo deve ser castrado
Por um gemido intenso e inenarrável
Se os cinco sentidos se completam de fato
Sem-vergonha do cio que nasce do ofato
Descobrindo a nudez nas coisas do tato
Esquecidas de canto no canto dos quartos
o machismo deve ser castrado


Pelo amor dos amantes e amores roubados
Pra que seja visível, o invisível diálogo
Por todos, os clítoris que foram cortados
Pelas dores do parto, a mais lamentável
o machismo deve ser castrado

Pra acabar com as leis e o contrato do Estado
Para que não existam mais fortes e fracos
E pelo fim do silêncio em cárcere privado
o machismo deve ser castrado

Pra que toda mulher desperte ao afago
Ao romper as fronteiras do inviolável
No bico do seio, do ventre ao braço
o machismo deve ser castrado

Para que o sexo, em fim, torne-se incontrolável
o machismo deve ser castrado


Pra que toda impotência vá pro caralho
Por este prazer tão miserável
Por todos os dias, inclusive 8 de março
Antes que ocorra o inevitável...

6 de fev. de 2009

DR. PLACEBO

Com ideais de psicofilia,
vou mimar
Sua suja vanguarda de idéias necrófilas
Vou urinar
Na sepultura de suas fantasias
E expelir pus, em seu capitalismo de bosta


Vou beijar com o desejo
Evoluido
Do psicosadismo
A boca nua de seu anus insano
E racionalmente,
Arrancar cada dente
Da verba de teu verbo puritano



Vou acariciar
A loucura da doença pornográfica
Nascida
Na inocência de sua infância
Para que as crianças começem
A perder a esperança
E ver cândido brotar na cidade,
O estupro infecto da intolerância

Com imagens de ferro
E fogo, no céu de Gomorra
Vou estimular o cio das moscas mortas
Vou amolar minha faca Em forma de pênis
No ventre venério
De sua xoxota

Vou casar
Com a moral imoral
Do seu sistema Monetário falido

Produzida pelas flácidas fábricas alienantes
E decepar,
Com alicates, os mamilos
Em que mamam nas tetas os governantes

Vou lecionar indecências sexuais nas escolas,
Para robôs, com foice e martelo
Vou obrar doces utopias de igualdade
Como se fossem ainda mais doces que caramelo
Vou ser amante dos malditos
Dos vícios

Por onde todos circulam na intimidade...
Vou parir pelos esgotos
A neurose dos delírios desconcertantes
No reto dos padres que sonham
Com travestis mutantes
Vou adotar como forma e efeito
Os filhos bastardos dos subúrbios subterrâneos
Até o último orgasmo

Do fálico
Complexo de Édipo,
Ao belo neurônio bélico
Divulgarei
Ideais anti-freudianos
Como decreto
Vou detonar a velha...
Bomba atômica da demência
Em overdose vulgar de exagero

Pois se pensas Dr.
Que sua dose salarial homeopática
Torna minha vida puta,


Menos ordinária?
Engano seu,
Oh pobre patrão!
Minha paranóia é crônica
E a razão de sua vacina hipocondríaca,
Em meu sangue venoso,
É puro placebo
Pois o único calmante de minha patologia,
É despertar em você:
O medo!



Ilustrações: Ana Clara Marques
Poema: Patrick Monteiro

23 de jan. de 2009

CONDENAÇÃO PERPÉTUA


Repressão, Autoritarismo, Hipocrisia
Corpo feminino condenado dá hemorragia
Autoritarismo, Hipocrisia, Repressão
Corpo feminino condenado gera depressão
Hipocrisia Repressão Autoritarismo
Corpo feminino explorado pelo patrão,
Escravizado pelo marido

Ei, ei capitalismo
Esse corpo que condena é meu!É seu mulher!
Quando digo não é não!Sai fora, tira a mão!
Ser mãe é um projeto de vida e não obrigação!
Nesse mundo onde deus é homem, branco, machista, racista, cristão
Eu quero vida, quero a Revolução


Transformou tudo em certo,errado, tudo bem ou mal
Ideologia burguesa, seus valores e sua moral

Pra ter lucro tirou meu descanso, minha hora de amar
Auto-estima na mirada rima da poesia que atirado fundo da minha arma
Que anseia por vida e emancipação

Radical?
Radical é a pobrezamiseriaque não incomoda mais
Não tanto quanto um beijo de duas mulheres na rua

Que corre pro banheiropra fugir da piada
Prisão perpétua pra elas!!

Pelo amor...
Mais duas mulheres condenadas.



Poema: Cathiara – Amandla Awetu
Grafitte: Ana Clara