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12 de jan. de 2011

Erotismo, pornografia, obscenidade e feminismo

Avisamos que é preciso que você leitora Maçã Podre se prepare psicologicamente para o que irá se dispor a assistir ao clicar na imagem do Pornoterrorismo, o que verá será de sua inteira responsabilidade, pois ela a levará diretamente para um dos polêmicos vídeos performances das pornôterroristas. Entretanto, é nossa função dizer que se o corpo está "coisificado" nas apresentações pornoterroristas é por causa  do patriarcado coisificar todos os corpos. No que poderão ver, mesmo havendo uma profissionalização d@s artistas, não há prostituição instituída, como na pornografia, e não há  produção massificada da manifestação sexual, o que conceitualmente define a indústria pornográfica. E o mais importante é que as interventoras/es se apresentam como elaboradoras/es e sujeitos de sua atuação e não objetos de simples manipulação passiva dos desejos sexuais de outros (regra estética básica para a definição de arte feminista). Concordem ou não, existir lá um discurso conceitual e teórico contra a opressão sexual de cunho insurrecional. Se é ou não uma arte libertadora, deixamos pra que outras feministas decidam. Assistam:
(obs: Pelos mesmo motivos do primeiro estudo sobre pornografia, só deverão ler a conclusão as pessoas que forem maiores de 18 anos ou feministas, pois algumas imagens mostradas a seguir são explícitas.)

A história de Linda Susan Boreman - De atriz pornô a militante feminista

Biografia de Linda Susan Boreman
As feministas podem nunca ter houvido falar de Linda Susan Boreman, mas ela é um nome importante na história do feminismo. A história dela não seria muito diferente de muitas histórias que ocorrem no Brasil, se Linda Susan Boreman não fosse Linda Lovelace, a atriz ícone do cinema pornô dos anos 70, protaginista de Garganta Profunda (1972) e a principal figura responsável pelo ponta-pé inicial da luta feminista contra a pornografia.
Em 1969, com 20 anos, Linda tinha acabado de dar a luz a um menino e foi convencida pela avó da criança, mãe de Linda, a permitir que ela cuidasse dele. Logo após, Linda descobriu que nunca mais voltaria a vê-lo, pois a verdadeira intensão da avó era mandá-lo para a adoção.
Depois de sofrer um grave acidente de carro, e ainda na convalecência, conhece Charles Traynor, com quem se casou.
Linda Lovelace e Garganta Profunda
Financiado pela famiglia Colombo, o filme Garganta Profunda teve o custo de 22.000 dólares e, estima-se que, lucrou entre 600 milhões a um bilhão de dólares. Através da grana ganha, os mafiosos fundaram uma produtora de cinema responsável por clássicos B como “O massacre da serra elétrica” e “Drácula e Frankenstein” de Andy Warhol. Entretanto, Linda Lovelace diz não ter ganho um só centavo deste montante, o único valor de 1.250, foi pago ao seu marido Charles Traynor, pela produção.

11 de jan. de 2011

Liberdade Sexual, Pornografia e Feminismo

cena "O útimo tango em Paris" 

Nas últimas semanas temos recebido comentários e emails questionando (alguns elogiando) o estudo que desenvolvemos sobre pornografia. Agupados eles afirmam em sua maioria que “a crítica ao produto pornô poderia recair num reacionarismo”, que “são a favor da liberdade sexual” ou que “seria possível produzir um pornô não sexista“.
Tal repercussão gerou a necessidade de se elucidar duas questões referentes ao tema: primeiro, por que a pornografia ganhou um status de libertação sexual (que até hoje repercute no consciente coletivo d@s militantes de “esquerda” em geral) e, segundo, por que, em geral, somente para as feminista radicais a pornografia é considerada degradante para as mulheres?
Depois de alguma pesquisa, elaboramos uma pequena serie de texto que oferecem parte das respostas. Neste estudo abordaremos a questão histórica de quando e como a película pornográfica tornou-se uma bandeira de liberdade nos EUA e no Brasil, em que momento o feminismo radical se voltou contra a pornografia, qual é a diferença entre a arte feminista (que usa o corpo e o sexo como forma de manifestação) e o produto porno e, por fim, por que é tido como polêmico ”o feminismo” contrário a pornografia.

27 de set. de 2010

Pornografia é arte feminista?


(Como o texto abaixo contém imagens explícitas, por questões ideológicas e políticas, só continuem a leitura se forem feministas ou maiores de 18 anos. Este texto é uma continuação/conclusão das publicações de setembro sobre o tema pornografia "feminista". Para ler todos click no menu "pornografia")

25 de set. de 2010

Sexualidade humana e pornografia industrial

Como feministas, nós Maçãs Podres lembramos que a sexualidade humana reflete o contexto de nossas relações sociais.
Na realidade, o ato sexual deveria expressar o encontro das individualidades humanas. Tanto subjetivamente quanto materialmente. Desde o momento que o sexo deixou de ser apenas um fim reprodutivo, ela passou a expressar um modo com o qual as pessoas se relacionam em nossa sociedade. No sexo as pessoas atingem a união com o outro.
O prazer do contato íntimo, fora dos aspectos biológicos, serve para que venhamos a confirmar nossa materialidade, nossa existência viva, nossa individualidade subjetiva, junto a uma ou mais pessoas. E esta condição só torna-se possível de ocorrer quando, ao nos encontrarmos com o outro, nós nos reconhecemos como diferentes e iguais. Porque estes assim também se assemelhariam a nós.

24 de set. de 2010

Pornografia e Capitalismo


 Uma falsa libertação
É inegável que exista uma relação direta entre o desenvolvimento da pornografia e o desenvolvimento do capitalismo, pois a indústria pornô é um dos únicos três “mercados de trabalho” em que a mão de obra das mulheres possui um valor econômico maior que a dos machos (a prostituição tradicional e a “modelagem” são os outros dois). Contudo, se comenta que o valor dos cachês para a maioria das atrizes é bem próximo de um salário mínino ou dois por cena explícita de sexo. Ou seja, o valor pago num filme porno é maior do que na prostituição de rua e igual a média das “acompanhantes de jornal”. 
"Pornô, é mais barato que namoro!"


As prisões sociais da pornografia

Após o Caso Elisa Samúdio, com os boatos que explodiram na mídia das festas dadas por celebridades, políticos e grandes empresários quando estes desejam extravasar o stress, comemorar um bom negócio ou acordo político, teremos deste modo um panorama bem amplo da exploração sexual que atinge estas mulheres no capitalismo.

23 de set. de 2010

Publicidade e Pornografia Simbólica

Este texto é continuação dos textos "Pornografia Feminista - As filiais da indústria sexual , "Pornografia e Prostituição - Uma breve história dos mecanismos de opressão dos machos" e Pornografia - Enciclopédia sexual dos machos



Códigos para além do sexo explícito
Se nos dias atuais algum menino ou menina não for atingido pelo machismo sexual através da pornografia ou da família patriarcal, temos então a publicidade para dar uma forcinha as diferenciações da submissão sexual.
Mas tentando fugir das perigosas concepções moralistas que, por pura conveniência puritana, definiram como pornográficas algumas das produções culturais da humanidade e que hoje são consideradas como arte (obras como “Madame Bovary”, de G. Flaubert; “O amante de Lady Chatterley”, de D.H. Lawrenc; os livros de Anais Nin; ou as pinturas de Miguel Ângelo, se são ou não deixaremos para um próximo estudo do tema), estabelecemos como limite de conceituação com as seguintes perguntas: a nudez feminina ou exposição do corpo era necessária para a obtenção do resultado artístico ou publicitário? A utilização do corpo feminino (nu ou insinuando sexo ou nudez) foi o principal motivo para tentar estimular as vendas? O corpo feminino é mostrado como mercadoria a ser consumida pelo público masculino? Em que contexto social a obra foi produzida?

21 de set. de 2010

Pornografia - Enciclopédia sexual dos machos


Os códigos da linguagem sexual machista
Vejam ao lado a imagem, nela o corpo feminino e o sexo apresentam vários símbolos dos valores machistas que devam constar dentro das relações de gênero no patriarcado.
Na foto maior, pode ler as palavras “amor y violencia” no alto da imagem. Nesta foto, a mulher encontra-se nua e falsamente acorrentada a uma estrutura de metal que aparenta ser a cabeceira de uma cama. Vê-se também o braço de um homem (como se fosse o consumidor, um homem qualquer) com um tipo de alicate, com uma brasa a frente. Aqui a mensagem da submissão sexual é tão explícita quanto deva ser o conteúdo sexual da película.
Na imagem ao lado do título do filme, uma jovem loira apresenta os seios, deitada em feno, estabelecendo uma relação entre sexo e animalidade. A mulher retoma o antigo signo da natureza que deve ser “domesticada ou civilizada” através do sexo masculino. A mensagem decodifica que através do instinto sexual masculino que a mulher é domomada por vontade e prazer.

20 de set. de 2010

Pornografia e Prostituição - Uma breve história dos mecanismos de opressão dos machos





Vênus de Willendorf
Este texto é uma continuação do texto

Inicialmente, as representações do corpo feminino constituíam-se símbolos de fertilidade. A Vênus de Willendorf, esculpida por volta do ano 30 000 a.C, apresentava seios fartos e flácidos, nádegas enormes e um ventre descomunal. Eis que as formas “arredondadas” constituíam-se em signos de força física em abundância, pois é possível acreditar que os cultos de fertilidade não se restringissem apenas ao sexo procriativo, mas as necessidades humanas de sobrevivência como um todo.

19 de set. de 2010

“Pornografia feminista”

E as filiais da indústria sexual
Foto do site de Anna Span
 Não é nenhuma revolução sexual colocar seda nas cortinas, recitais de literatura nos diálogos ou música clássica nos filmes pornográficos. Não importa se existam floreios, requinte estético ou busca por atuações mais consistentes, quem está com a câmera na mão, quem tenha escrito o roteiro, feito a direção, a produção ou se as alcovas estão decoradas com as tradicionais fantasias e fetiches femininos, pornografia jamais será feminismo. Mas para as diretoras  Petra Joy, Erika Lust, Anna Span, Tristan Taormino, Courtney Trouble, entras outras, foi possível criar filmes pornôs feminista. Será?