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22 de ago. de 2011

Destruindo o argumento machista de que as feministas odeiam os homens

Sempre que mulheres e homens ignoram as correntes feministas (seu desenvolvimento histórico de luta e de análises sócio-filosóficas) querem finalizar uma conversa ou deslegitimar uma argumentação sobre as opressões de gênero e a necessidade da luta, é comum que se fundamentem nos seguintes truísmos:

“mas as mulheres também são machistas”, “mas o feminismo é um machismo ao contrário” ou “não aprovo nem o machismo e nem o feminismo, pois as feministas também odeiam os homens”.
Já publicamos aqui textos que ajudam as feministas a responderem estas questões (5 Técnicas de discurso para fortalecer a luta feminista) ou simplesmente identificarem que muitas destas pessoas nem querem ouvir nossas colocações apenas querem inviabilizar os debates (O MACHISMO FEMININO). Hoje publicaremos um texto que explica os motivos porque não se pode afirmar que o feminismo é “o simples ódio aos homens”.

17 de fev. de 2011

Para além da cor da pele: a dialética dos feminismos brasileiros

Por um feminismo étnico de classe econômica
Por convenção, nós feministas nos acostumamos a dizer que existem “vários feminismos” ao invés de um. E por conveniência mútua, nós feministas também nos conformamos com as facilidades estratégicas desta convenção. Todavia, quando pensamos nas dificuldades existenciais do movimento feminista, mais especificamente o brasileiro, nós Maçãs Podres nos perguntamos se já não seria a hora do feminismo teórico agregar em si toda a variedade particular e histórica de cada um dos movimentos de libertação das mulheres numa só utopia¹?
Antes, porém, é necessário entender que a atual conjuntura política que faz com que, cada vez mais, o feminismo se fragmente em “vários”. Não há como negarmos as particularidades, nem buscamos uma totalidade, sem vislumbramos a dinâmica racial que privilegia as mulheres brancas desta sociedade. Sem que venhamos a reconhecer o quanto fomos, somos e nos induziram a negligenciar tal questão. A política da representatividade tem vendido o feminismo como vasos que devem ocupar lugares separados nas prateleiras política dos governos. O árduo trabalho de se construir um feminismo étnico de classe econômica, em sua múltipla completude sexual, abarca a necessidade de reconhecemos o racismo como uma das mais cruéis estruturas do patriarcado, estrutura esta que colocou e coloca as mulheres negras e brancas do mesmo lado, mas em cantos opostos. Já é hora dos feminismos repensarem suas convenções.
A dialética dos feminismos
Não é de se estranhar o encantamento patriota de nosso povo com as cores da bandeira. Este é culto dos olhos verdes, do cabelo amarelo, do “sangue azul” e da pele branca. Ora, depois das armas e da fé, naturalizar as diferenças sociais pelas diferenças físicas não é a mais comum das estratégias ideológicas de dominação?
Em grosso modo, os mitos da superioridade física masculina e da superioridade intelectual branca sempre tiveram como objetivo explorar trabalho dos negros e excluir as mulheres brancas das atividades transformadoras da sociedade. Os colonizadores precisavam de pernas, braços e mãos de obra “fortes” para suas plantações, assim como os homens burgueses ainda precisam dos nossos úteros funcionando como fábricas.
Pelo mesmo motivo ideológico, as mulheres brancas ainda são cultivadas como flores. Os homens negros tratados e xingados como animais. E as mulheres negras exaltadas como “vulcões (sexuais)”. Sobre as mulheres negras e brancas e os homens negros recai a simbologia da natureza que “deve” ser dominada. Entretanto nenhuma construção ideológica se sustenta sem as diferenças econômicas. E quanto mais separados em “lotes”, mais fácil se torna o controle dos oprimidos.

12 de jan. de 2011

Erotismo, pornografia, obscenidade e feminismo

Avisamos que é preciso que você leitora Maçã Podre se prepare psicologicamente para o que irá se dispor a assistir ao clicar na imagem do Pornoterrorismo, o que verá será de sua inteira responsabilidade, pois ela a levará diretamente para um dos polêmicos vídeos performances das pornôterroristas. Entretanto, é nossa função dizer que se o corpo está "coisificado" nas apresentações pornoterroristas é por causa  do patriarcado coisificar todos os corpos. No que poderão ver, mesmo havendo uma profissionalização d@s artistas, não há prostituição instituída, como na pornografia, e não há  produção massificada da manifestação sexual, o que conceitualmente define a indústria pornográfica. E o mais importante é que as interventoras/es se apresentam como elaboradoras/es e sujeitos de sua atuação e não objetos de simples manipulação passiva dos desejos sexuais de outros (regra estética básica para a definição de arte feminista). Concordem ou não, existir lá um discurso conceitual e teórico contra a opressão sexual de cunho insurrecional. Se é ou não uma arte libertadora, deixamos pra que outras feministas decidam. Assistam:
(obs: Pelos mesmo motivos do primeiro estudo sobre pornografia, só deverão ler a conclusão as pessoas que forem maiores de 18 anos ou feministas, pois algumas imagens mostradas a seguir são explícitas.)

31 de dez. de 2010

5 Técnicas de discurso para fortalecer a luta feminista

Truísmo é o nome que reservamos, em filosofia, para a banalidade que, verdadeira, produz efeitos que vão muito além daqueles que estritamente poderíamos derivar da veracidade que enuncia. (...) Pois bem, os truísmos funcionam assim. Todo truísmo tem seu momento liberador. Ele expressa, como todo clichê, uma banalidade que não é falsa, mas que pode muito bem funcionar para falsificar a realidade – especialmente depois que, já disseminado, passa a ser usado para travar o pensamento e, não raro, silenciar o outro. Já que tirei a semana para fazer posts que vão me servir no futuro, aproveito para tratar de cinco truísmos que encontro com frequência por aí.
(nota das Maçãs Podres: quem se interessar poderá publicar nos comentários outros truísmos que identificarem)

1. Cada um tem sua opinião. É o pai, ou a mãe, de todos os truísmos. Como todos os outros, ele é vítima da reversibilidade: ora, se “cada um tem sua opinião”, seria possível, em tese, formular a opinião contrária – a de que cada um não tem sua opinião. Isso significa que, para que esse truísmo seja verdadeiro, ele tem que ser falso. O paradoxo é que quem recorre ao “cada um tem sua opinião” como instrumento de debate não está jamais exprimindo opinião própria. Está, invariavelmente, repetindo opinião ouvida alhures. Afinal de contas, quer afirmação mais universalizante que “cada um tem sua opinião”? Quem diz isso no interior de uma discussão não está abrindo-se para o diálogo. Está fechando-o antes que ele se inicie. Dizer “cada um tem sua opinião” é como dizer “eu sou mentiroso”: trata-se de uma afirmação que implode no momento em que ela é feita.

15 de out. de 2010

O MACHISMO FEMININO

As feministas e mulheres ligadas as questões de gênero em geral, reclamam que talvez a maior dificuldade contemporânea na difusão do feminismo no Brasil seja que, em sua maioria, nós mulheres somos machistas.
Mas esta também é a explicação que os homens e as mulheres contra-feministas dão sobre sua aversão ao feminismo. Dizem elas: “o feminismo é um machismo ao avesso”.
Por isso, duas questões devem ser elucidadas para a compreensão do fato em-si, primeiro é necessário definir o que é o machismo e, segundo, por que ocorre a confusão que define feminismo como “machismo invertido”.

O que é machismo?

14 de jul. de 2010

O pós-feminismo é um individualismo

Existe no cerne filosófico do feminismo a antítese do individualismo e da desigualdade (inclusive econômica). Desigualdade que se encontra presente nas raízes históricas da sociedade em que vivemos. Sociedade esta desenvolvida através do domínio político e econômico dos homens. Desenvolvida a partir da diferença entre os sexos. Desenvolvida a partir da desigualdade entre as raças, as classes e os gêneros.

No atual contexto social que estamos inseridas, a desigualdade econômica é a base material das demais desigualdades. Não há como lutar pelo fim do machismo quando nosso corpo está passando fome. Fica mais difícil de lutar contra o patrão machista, quando temos um único emprego. O machismo se torna suportável quando, com nossos corpos, é possível de se ganhar muito dinheiro.

Mas a dor física, a dor mental, a dor emocional, a dor moral, a dor material da ausência/carência de condições igualitárias entre os seres não se sustenta só com a desigualdade econômica. Ela é sustentada também pela opressão do Estado, pela massificação da violência estética nos meios de comunicação, pela eliminação filosófica dos ideais de libertação. Sem uma base sólida, a luta não se constrói. Sem chão, não se pavimenta a estrada da conquista.

12 de jul. de 2010

A farsa chamada pós-feminismo

Com a hegemonia de um só sistema econômico, após a queda da URSS, às gerações posteriores a “onda feminista de 1960” ficaram órfãs de uma ideologia transformadora para fundamentar suas análises políticas e ações práticas.
A partir do avanço feminino do mercado de trabalho e da implementação de políticas públicas voltadas para as mulheres, as teorias ideológicas contra-feministas ganharam força e status acadêmico. Criou-se então um discurso conservador de que “as principais reivindicações de igualdade entre os sexos foram já satisfeitas e que o feminismo deixou de representar adequadamente as preocupações e anseios das mulheres de hoje” ¹.
Diante da atual conjuntura antifeminista, coube-nos perguntar as demais Maçãs Podres: se a desigualdade entre mulheres e homens ainda não foi superada, e se as bases desta desigualdade estão no domínio masculino sobre os meios de produção e das propriedades privadas, como se poderia afirmar que a luta feminista foi superada²?
O vídeo acima tem a intenção de ilustrar e problematizar esta questão para que seja possível melhor compreender os textos que virão a seguir. Ele foi editado a partir de um "documentário" exibido pela tendenciosa GNT.

Ana Clara Marques e Patrick Monteiro
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¹- Pós-feminismo; Ana Gabriela Macedo; http://www.scielo.br/pdf/ref/v14n3/a13v14n3.pdf :

²-De acordo com Humphrey Institute of Public Affairs, da universidade estado de Minnesota (WOLF, Naomi: O mito da beleza), apesar de mais de sermos 50% da população e ocuparmos dois terços das horas trabalhadas, somos donas de menos de 1% das grandes propriedades capitalistas.

22 de abr. de 2010

A Prostituição Simbólica¹ e o Falso Poder das Mulheres


AS POWER GIRL'S DO PÓS-FEMINISMO
Todo o latifúndio de “mulheres-bunda” que aparecem nas capas de revistas, como se estivessem livres da opressão dos machos, rende uma falsa idéia de “poder feminino”. Paris Hilton, Beyonce, Lady Gaga, Fergie, “mulheres fruta” e as supermodel’s tém sido apresentadas as adolescentes como símbolo de mulheres pós-feministas, sexualmente seguras e independentes, capazes de consagrar o fim da opressão de gênero. O debate que vamos focalizar é de qual será o real “poder destas mulheres” e suas graves conseqüências sociais?
Segundo Stendhal, “a beleza não é senão a promessa da felicidade”, que no capitalismo significa independência econômica. Por mais que não queiram enxergar, o que é concedido a tais mulheres é o cargo de colaboracionistas do machismo.

7 de ago. de 2009

O MITO DA INFÂNCIA FELIZ

 texto abaixo é uma produção surgida a partir do estudo do livro Dialética do Sexo

Não existe nada mais bonitinho, indefeso e inofensivo do que uma frágil criancinha com um sorriso no rosto, certo? Errado. Para os homens, não há nada mais bonitinho e indefeso que uma "mulher frágil" com um sorriso no rosto. As mulheres são como crianças do machismo. E as crianças são "as mulheres" das mulheres.
Agora imaginem uma imagem revolucionária de um exército de crianças Marchando Armadas, com sede de sangue nos olhos e com dedos nervosos para puxar o gatilho no primeiro adulto que lhes tentar impor suas vontades, sob forma de violência física ou psicológica. Bang! Graças aos preconceitos de classe e raça só lhes parece Possível conceber garot@s com tal imagem, pobres e negros, loucos de drogas e dispostos a violentar "pessoas de bem" na rua por puro sadismo? É ... eis que o filme Cidade de Deus já fez sua parte. Não existe nada mais ameaçador do que um sorriso satisfeito no rosto de uma criança.

30 de jul. de 2009

CORDIALIDADE MASCULINA: AS GRADES DE FLORES

Eis que vivemos um retrocesso na luta pela emancipação. Simone de Beauvoir aponta que uma das barreiras na luta pela emancipação humana foi que parte das reivindicações do movimento feminista se baseou em queixas, o que levou a perda do foco da luta. Reivindicações baseadas em lamentações tornam-se um fenômeno secundário, de pouca importância, que muitas vezes até representa alguma atitude por parte da sociedade, mais de fato não a modifica. È fácil algumas feministas se ludibriarem com alguns “avanços” no decorrer da história. Principalmente porque mulheres, inclusive algumas feministas, muito se orgulham do “novo” homem (o homem cordial), simplesmente porque ainda não se libertaram do sonho de encontrar o príncipe encantado.
A história nos mostra que no período medieval a função dos homens nobres era o combate e as guerras. Assim nasce a Cavalaria. Sem nenhum intuito de proteção dos mais fracos e sem nenhuma piedade para com os pobres. As mulheres eram tratadas de forma brutal, eram servas de seus maridos e nada tinha em troca da submissão senão violência.

17 de mai. de 2009

Dialética do sexo por Maçãs Podres

O que diferencia Maças Podres de Tomates Maduros?
Já olhou sua vagina hoje?
De modo nojento e constrangedor, algum desconhecido com certeza já olhou!
O olhar que temos de nós mesmas é quase tão porco quanto o olhar dos homens sobre nós. Por que sentimos repúdio de nossa buceta? Por que nos identificamos como coisas e não seres humanos? E qual é a relação entre repressão, corpo e desejo? Nós mulheres passeamos entre dois mundos: na balada, somos a Eva experimentando o poder de ficarmos amostra no grande banquete e indo “comprar pão”, somos Maria comprovando a vergonha de nossa falsa pureza. Será que nós já nos perguntamos o porque de tudo isso? Ou já achamos tão natural sermos vistas pelos homens e pela mídia como “uma grande buceta”? Por que quando identificamos a contradição destes dois opostos (os comportamentos de “Eva e Maria”), apesar do incomodo e intimidade, optamos pela comodidade da submissão camuflada? E por que, depois de constrangidas e provocadas, não temos reação? Ficamos estagnadas para receber olhares suados de baba e esperma? Como quebrar esta lógica de estupro e submissão? Enquanto isso... Devemos comecar a olhar para nós mesmas!

Texto: Ana Clara Marques e Patrick Monteiro

2 de fev. de 2009

O mito do Femismo

A primeira vez que escutamos o termo “Femismo” foi dentro de um debate virtual, com outras mulheres, cujo tema era a rivalidade feminina. Uma delas usou este neologismo como legitimador do argumento que diferenciava a sua “consciência de mulher independente” das demais mulheres. Ela se mostrou avessa o movimento feminista do qual ela ao momento pouco conhecia. Pesquisando mais sobre este termo, observamos como isso está sendo divulgado para dizer que é o “machismo feminino”, na verdade é um sentimento de aversão que algumas mulheres sentem pelos homens, claro que isso está carregado de preconceitos e estereótipos para distanciar as mulheres de reconhecer a sociedade machista e engajarem-se na luta feminista, a intencionalidade disso é o que queremos descrever ao longo do texto.

13 de jan. de 2009

O COMPLEXO DE CINDERELA – Por Maçãs Podres.

“O desejo inconsciente dos cuidados de outrem – é a força motriz que ainda mantém as mulheres agrilhoadas. Denominei-a “Complexo de Cinderela”, uma rede de atitudes e temores profundamente reprimidos que retém as mulheres numa espécie de penumbra e impede-as de utilizarem plenamente seus intelectos e criatividade. Como Cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha transformar suas vidas.” (Collete Dowling)
Como foi observado por Simone de Beauvoir existem mulheres que se posicionam como submissas para “evitar a tensão envolvida na construção de uma existência autêntica.” Permanecer nessa posição de submissão sendo boa companheira, boa mãe e dona de casa (de preferência sustentada), traz uma tranqüilidade que a LUTA POR SI MESMA não traria.
O Complexo de Cinderela é um fenômeno psicossocial que faz as mulheres se sentirem frágeis e dependentes, necessitando de uma presença masculina em suas vidas. O  medo de enfrentar o mundo sozinha gera uma tensão emocional e uma ansiedade asfixiante de ser aceita, estes sentimentos envolvem as mulheres, fazendo-as recuar da luta. É evidente que é muito mais fácil recuar do que encarar um problema que foi enfiado em nossa goela. E hoje se encontra enraizado dentro de nós mulheres por comodidade. A princípio o que foi imposição de ser protegida por um homem e dependente dele em todos os âmbitos, tornou-se um comportamento natural e “cômodo” (não precisamos pensar, não precisamos nos responsabilizar por nós mesmas e nem lutar, pois aparentemente tudo está bem).